Jorge Estrela


No primeiro dia de Janeiro de 2015 e com a idade de 70 anos, faleceu na Marinha Grande, onde estava internado numa clínica, o Director da Casa-Museu * Centro Cultural João Soares (Cortes, Leiria), Dr. Jorge Estrela, um especialista em arte e um amante de Leiria, estudioso em botânica e em micologia, casado com a Dra. Maria Carlota Nogueira de Miranda Simões. O funeral realizou-se em Leiria, a 02-01-2015, tendo o seu corpo ficado sepultado no cemitério local.

 

Sucedendo a Ana Mercedes Stoffel, Jorge Estrela dirigia a Casa-Museu João Soares desde Janeiro de 2008, tendo completado um ciclo de sete anos.

Segundo informações colhidas junto da Casa-Museu, Jorge Manuel Estrela de Pinho e Almeida, pintor e historiador de Arte, nasceu em Angra do Heroísmo (Açores) em 7 de Maio de 1944. A família é originária de Leiria (Barões de Salgueiro) e de Lisboa (família Déjante refugiada em Portugal após o consulado em 1820).

Tirou o curso de pintura da Escola de Belas Artes de Lisboa e o D.E.A. em História da Arte na Sorbonne. Viveu em França como refugiado político entre 1966 e 1975. Trabalhou como pintor para a Galeria Alphonse Chave, em S. Paul de Vence (1968 e 1969), importante galeria do Sul da França que contava com a colaboração de artistas como Marc Chagal, Max Ernest, Jean Dubuffet, etc. Trabalhou em desenhos animados para vários estúdios em Cannes (Estúdios I.B.M.) e Paris (estúdios Michel Boschet e Mediscope) e revistas de Banda Desenhada (Gertrude).

Em Portugal organizou a exposição “O Saque da Cidade de Leiria” (1977), com reposição em 1984, e organizou o levantamento de fotografias referenciais da Cidade entre 1870 e 1950, cujo dossier estava em seu poder.

Dedicou-se ao desenho botânico em particular na área da Micologia. Fundou, com docentes do Instituto Superior de Agronomia, em 1990, a Associação Portuguesa de Micologia da qual foi eleito presidente. Era membro do grupo de estudos da flora Ibérica, tendo organizado alguns dos encontros anuais (nomeadamente o de Leiria) em conjunto com o Jardim Botânico de Madrid e o Museu da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Organizou a primeira exposição nacional de cogumelos (macromycetas) no I.S.A. em 1991 e a segunda no Museu da Faculdade de Ciências em 1995. Em conjunto com o arquitecto Rui Ribeiro, concorreu e ganhou o concurso público para a reconstrução e restauro do Mercado de Santana, de Ernesto Korrodi (2002), e o projecto para o novo Jardim de Leiria.

Como historiador, participou em várias publicações, com estudos sobre a história do vinho e da vinha em Portugal (“O vinho na história e a cultura popular”, publicação do I.S.A., 1994); comunicação sobre vinhos medievais portugueses no 1.º Congresso Mundial do Vinho e da Vinha, em Cádiz (Espanha), em 1993; estudos sobre a Batalha (“As Capelas Interrompidas”, publicado em 1997 nas edições Magno); trabalhos e conferências sobre os grafittis medievais da Batalha e sobre a História da Natureza Morta em Portugal; Pintura em Leiria 1900/1950, publicado em “Leiria balanço de um século” (2000). É autor do trabalho “Flora e paisagem segundo Rodrigues Lobo”, publicado na revista Euridice, em 1998. Publicou com Vítor Serrão o livro sobre Baltazar Gomes Figueira e a Escola de Óbidos, em 2000, e escreveu um estudo sobre “A Natureza Morta em Josefa de Óbidos”, não publicado mas depositado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e muito citado em bibliografias. Em 2008, publicou, com João Bonifácio Serra e Nicolau Borges, os textos para o catálogo da exposição na Assembleia da República “José Relvas, o conspirador contemplativo”, ali patente de 27 de Junho a 29 de Novembro daquele ano.

Organizou o restauro da colecção de pintura da Câmara Municipal de Leiria e a exposição “A nova vida das imagens, pintura em Leiria dos séculos XVI a XVIII” em exibição durante dois anos no espaço do ex-Banco de Portugal (2004) e escreveu o livro “A pintura antiga em Leiria, dos séculos XVI a XVIII” cuja publicação está a ser preparada pela Câmara de Leiria. Organizou ainda, com Vitor Serrão e Sérgio Gorjão, a exposição “Baltazar Gomes Figueira, Pintor de Óbidos” «que nos paizes foi celebrado», que deu origem a um livro-catálogo com o mesmo nome, referido atrás.
Enquanto Director da Casa-Museu João Soares, organizou ali várias exposições pioneiras e de grande aparato: em 2008, a exposição “Leiria no tempo das invasões francesas”, que posteriormente deu origem a um livro editado pela Gradiva (Lisboa); depois, em 2009, a exposição “Korrodi e o restauro do Castelo de Leiria”; em 2010, a exposição “Grafitos medievais do Mosteiro da Batalha”; e, em 2013, a exposição “A viagem de Cosme III de Médicis em Portugal em 1669”.

Fez em 2010, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, uma palestra dedicada à Natureza Morta dos Séc. XVII e XVII com o título “A grande Ilusão”. Ainda a propósito desta temática, realizou, agora na Casa-Museu João Soares, duas palestras em Março e Abril de 2010.

De 18 de Outubro a 13 de Novembro de 2014, esteve patente no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a sua exposição “Viagem de Cosme III de Médicis em Portugal no ano de 1669”.

Profundamente conhecedor da história da cidade e uma referência para investigadores e historiadores, o seu falecimento cria um vazio irreparável. 


capa_abril.jpg

A edição em linha do Jornal das Cortes é actualizada a partir do dia 15 de cada mês.

 

Assine já o Jornal das Cortes ao clicar AQUI!

NÃO FALTE!

Festa-Cortes_cartaz.jpg

Agenda de eventos

Destaque WebTV

rally reixida

geometriadomovelweb.jpg