Como é já do conhecimento público, a homenagem a Anacleto Lopes Cordeiro foi agendada para o dia 20 de Janeiro de 2008.
O programa dessa homenagem vai ser o seguinte:
- às 10h00 – missa na igreja paroquial com acompanhamento do Grupo Coral da Igreja;
- às 11h00 – romagem ao cemitério e evocação da memória do Anacleto;
- às 12h00 – descerramento de uma lápide evocativa naquele que foi o seu alambique (Rua Helena de Aboim Lopes Vieira), nas Cortes; e
- às 13h00 – almoço de confraternização na Quinta de Santo António do Freixo (Alqueidão).

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Porquê homenagear o Anacleto Cordeiro? Porquê relembrar alguém desta forma organizada e conjunta? Porquê olhar para a vida de alguém e não querer esquecê-la?
Para mim, as respostas a estas perguntas vão sendo cada vez mais claras. Com a experiência que vou tendo deste mundo em que vivemos, dou cada vez mais valor às atitudes e entendo que, na vida, o que mais importa são as pessoas e a forma como no tempo que temos marcamos a vida de alguém.

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Meu caro Anacleto:
Decerto estranharás que, morando eu aqui tão perto de ti, aproveite as linhas do “Jornal das Cortes” para te dizer umas coisas, assim a modos que mais a sério.
Mas não tens que estranhar. Nunca, de todas as vezes que estivemos juntos, conversámos seriamente, pois que contigo, face a face, apenas nos dissemos as maiores barbaridades e as coisas mais acertadas, sempre no tal tom intemporal que é o tom de brincadeira. E tudo o que combinámos a brincar, realizámos seriamente, tudo o que dissemos nunca fazer, fizemos realmente. Era assim, pronto.
De resto, tu eras assim para toda a gente. E como eu te reconhecia nesse tom, (que era o meu), que era já o do teu pai, que já vai sendo o dos teus filhos.

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Aqui ficam algumas recordações de uma vivência total, quase sempre em conjunto desde praticamente a nascença até à hora final. Temos diferença de um mês, acho que a minha mãe lhe deu mama. Depois veio a escola primária, aos 7 anos, onde brincámos sempre juntos desde a 1.ª à 4.ª classes. Da 1.ª à 3.ª classes foi com o professor Mateus: ele era privilegiado por amizade do pai com o professor, mas eu também não tenho queixa do professor, embora reconheça que era mau.
Depois da escola, íamos jogar à bola no campo de futebol que existiu junto ao lagar de azeite das Cortes. O jogo só acabava quando o árbitro (as nossas mães) nos vinha chamar com as vides debaixo do avental. A 4.ª classe já foi com a professora D. Arménia, da Capelinha do Monte. Era nova e a primeira vez que dava aulas. Ao princípio abusávamos um pouco da bondade dela, mas depois impôs-se e levou-nos todos a exame a Leiria (Escola S. Estêvão) e ficámos todos bem. No período do pré-exame, para nos acostumar, íamos para Leiria fazer umas provas escritas e orais para casa da professora, à Fonte Grande, depois era brincar para o parque. Para entrarmos ali, tínhamos que pagar três tostões. Houve um dia em que eu só tinha

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Data de 2001 o primeiro contacto directo do Sr. Anacleto Cordeiro, de saudosa memória, com os Serões Literários das Cortes. Ano do inesquecível I Encontro de Colectividades da Freguesia. O grupo dos Serões Literários, a convite da CARTES, acedeu a que no seu encontro de Setembro se procedesse à divulgação dos premiados dos I Jogos Florais das Cortes, num memorável Serão ocorrido nas instalações da Associação Nascente do Lis. E porque do Lis se tratava – o tema dos Jogos foi um terceto de Rodrigues Lobo referente ao seu rio – o serão foi ilustrado com a leitura, a duas vozes, do poema Lis & Lena (Saga Imaginária), então inédito. Analecto Cordeiro, presente nesse serão, escutou atento. No fim comentou o comprimento do poema, das «Fontes à Vieira».

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Conheci o Anacleto em várias circunstâncias e etapas da vida. Estive mais perto dele depois do seu regresso de Moçambique, após o 25 de Abril e particularmente nos últimos 25 anos, período durante o qual tive diversas oportunidades de partilhar com ele conversas e experiências de natureza social, política e pessoal.
Era uma pessoa dotada de excepcionais sentimentos, de grande sensibilidade social, que gostava muito da sua terra, dos amigos e do seu país. Exigente, mas paciente e conciliador, tinha como referências principais os valores da família e do trabalho. Sóbrio, discreto e honrado, amigo do seu amigo, o Anacleto ficou no meu coração, como estará no de muitos outros que com ele puderam conviver. Recordá-lo ajuda a perceber melhor o sentido de viver.

José Ribeiro Vieira

Recordar o Anacleto com a sua maneira bem disposta e o trocadilho das conversas é que nos faz criar grande saudade.
Recordamos os anos 1976-1979/81 – existiu um Grande Coral nas Cortes. As nossas esposas eram cantoras, nós acompanhantes! Nas actuações, com Grande sentido de humor, dizia o Anacleto: «Ó Quim, como nós somos poucos, é bom não ficarmos juntos. Eu fico aqui e tu vais para aquela ponta para, quando acabar a actuação, nós batermos palmas com toda a força para parecermos muitos e entusiasmarmos as outras pessoas a baterem palmas.»
Depois entrava a nossa discussão risonha de palavras trocadas: “Eu fico aqui e tu vais para aquela ponta». Eu obedeço mas, depois, és tu que papas o frango depois da actuação!
Dizia ele: «Depois, a ver vamos! As contas à Porto também se fazem em Leiria.»
Isto vem a propósito lembrar que, depois das actuações, em grande parte havia um petisco oferecido aos cantores, mas não autorizado aos acompanhantes. E, como tal, acabava a actuação e lá íamos nós em direcção a uma churrasqueira buscar o frango e íamos para uma das nossas casas comer e conviver mais um pouco e comentar o nosso ensaio de batermos as palmas, etc., etc.
Grandes tempos!... Grandes recordações.
Aqui fica um apontamento dos muitos bons momentos que marcaram a nossa Grande Amizade.

Joaquim Mirante Frazão

Quando cheguei a Moçambique, cidade de Nampula, fiquei muito surpreendido ao saber que o Anacleto estava a viver ali. Ele era conhecido por Sr. Cordeiro da Somanol, nome da firma que era uma empresa muito grande, serração, oficina e mecânica, e móveis, também com várias serrações no mato.

Como passei muitos meses em Nampula, sempre fiquei em casa do Anacleto e não no Quartel. Ele, com os conhecimentos que tinha, tratava de tudo que eu nem sabia como. Todos me perguntavam quem era a cunha que eu tinha. Até os próprios oficiais, etc. Eu admirava-me com a maneira como ele resolvia tudo. E com todos – pretos, brancos. Por isso, cá, já não era admiração tudo o que ele fazia.

Também passei lá momentos de dificuldades quando mudou de casa de habitação, quando o filho nasceu – o Joca –, que lhe deram notícia que ele tinha morrido. Mas, quando eu e ele chegámos ao hospital, o médico, à entrada, disse que tínhamos homem. Isso é que ele correu para junto da Lurdes e do filho com uma alegria!...

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(História contada pela irmã mais velha do Anacleto)

Tinha o Leto oito ou nove anos, já ia ajudar o pai a trabalhar num alambique que, nessa altura, podia ser ou do senhor Joaquim Marques da Cruz ou do senhor Engenheiro Charters ou do Dr. Afonso Lopes Vieira ou, então, naquele que viria a ser o seu e o da D. Miquinhas.

O nosso pai era um especialista a fazer aguardente e era convidado todos os anos a explorar um desses alambiques que se encontravam todos na mesma rua.

Então, toda a família trabalhava, uns de noite, outros de dia. O Leto fazia sempre equipa com o pai e foi com ele que aprendeu o sentido de humor e de grande convivialidade com que viveu e serviu toda a sua vida.

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