O Jornal das Cortes constituiu uma parceria com a Delegação de Leiria do INATEL para a organização de um colóquio sobre “Miguel Torga em Leiria”, a realizar no próximo dia 2 de Fevereiro, a partir das 14h30, no auditório da Caixa de Crédito Agrícola, em Leiria. Esta iniciativa pretende assinalar o centenário do nascimento do escritor, que foi também médico em Leiria, cidade onde o seu ímpeto literário se manifestou, marcando a sua carreira indelevelmente. Vão estar presentes cerca de uma dezena de participantes que abordarão temáticas que vão da história à literatura, terminando a jornada com um espectáculo teatral, no teatro Miguel Franco, à noite, com a peça “No Rasto de Miguel Torga”, pelo grupo URZE Teatro, de Vila Real, numa iniciativa da Câmara de Leiria.

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Cerca de meia dúzia de meses após a sua instalação em Leiria, Miguel Torga foi detido pela PSP local - a 30 de Novembro de 1939 - e remetido à Directoria da PVDE, em Lisboa, que o trancou na cadeia do Aljube durante cerca de dois meses - até 2 de Fevereiro de 1940. Como descrevemos na última edição do Jornal das Cortes, esse foi um período muito difícil para o escritor, mas também muito rico do ponto de vista humano, pelas reacções de solidariedade que suscitou entre alguns dos seus amigos leirienses. Depois de libertado, o escritor voltou para Leiria, onde tratou de restabelecer a sua actividade profissional e acabou por tomar uma das decisões mais importantes da sua vida: o casamento.

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O dia 30 de Novembro é uma data aziaga na biografia de Miguel Torga: fez há poucos dias 68 anos que o escritor foi preso em Leiria - em 1939 - a mando do governo de Salazar. E isto devido à publicação da sua obra “O Quarto Dia da Criação do Mundo”, em que o autor, entre outras coisas, expõe as atrocidades do fascismo espanhol.

A obra havia sido publicada à revelia da Censura, a expensas do autor. Diz-nos Renato Nunes, na sua obra “Miguel Torga e a Pide” (ver caixa) que, «apesar da censura prévia a todas as publicações que abordassem assuntos de natureza política e social se encontrar legalmente consagrada, logo a partir de 1933, a verdade é que a grande maioria dos escritores nacionais, como foi o caso de Miguel Torga, nunca terá acedido a enviar as suas obras à censura prévia e isto, saliente-se, apesar dos graves prejuízos que semelhante acto poderia trazer à editora, à tipografia e, como se pode imaginar, ao próprio autor da obra.»', '

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Alda Sales Machado Gonçalves nasceu no Sítio da Nazaré a 9 de Dezembro de 1926, filha de Maria Gertrudes Tormenta Sales, natural do Sítio, e de António da Conceição Machado, de Fanhais. Aos 15 dias de vida, foi viver para Lisboa, onde o pai era marinheiro mecânico e onde ficou até aos cinco anos e meio de idade. «Voltei para o Sítio quando o meu pai foi pela segunda vez para Macau – diz-nos -. Depois o meu pai veio e foi para a Índia. E o meu pai estava na Índia quando viemos para Leiria». Aqui estudou, aqui casou e desenvolveu a sua actividade profissional. Entre outras coisas, foi responsável pelo Arquivo Municipal de Leiria, a partir dos anos 60. A sua imensa energia e curiosidade levaram-na a investigar diversos temas da história local e regional, tendo publicado vários livros e artigos avulso, nomeadamente, sobre heráldica, numismática, desporto, toponímia, o traje regional nazareno e a moda em geral, entre outros. Para além das obras publicadas, tem ainda mais algumas à espera de ganhar corpo nas rotativas da imprensa. É uma antiga e fiel colaboradora do Jornal das Cortes, tendo animado diversas rubricas desde há vários anos.

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A memória da passagem de Miguel Torga por Leiria está velada por uma névoa de imprecisões que o tempo acentuou. Passados quase 70 anos, é normal que as diversas versões sobre o período em que aqui viveu e teve consultório, mesmo as mais bem documentadas, divirjam. Mas o que é certo é que essa estada foi suficientemente marcante para que a sua memória permaneça, nomeadamente entre os leirienses mais velhos, e se tenha até mitificado - também pelo facto de ele se ter tornado famoso e admirado como escritor.', '

Iremos, ao longo deste artigo, tentar esclarecer alguns dos factos que rodearam a fixação do médico Adolfo Rocha, que já dividia a sua pessoa com o escritor e poeta Miguel Torga, em terras de Leiria. Iremos, para isso, basear-nos em diversos documentos e testemunhos, tentando ser o mais exactos possível quanto às balizas temporais que limitam essa época.

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Neste ano de centenário, é pena que Leiria não se tenha associado condignamente às celebrações do nascimento de Miguel Torga, pseudónimo literário do médico Adolfo Rocha. O período em que aqui viveu e manteve consultório, não obstante curto - de 1939 a 1941 - foi dos mais intensos e determinantes da sua vida. 

Foi durante esses cerca de dois anos que o escritor publicou algumas das suas obras mais significativas: o «quarto dia» de «A Criação do Mundo», (prosa), 1939; «Bichos» (prosa), 1940; [Contos da] «Montanha» (prosa), 1941; «Um Reino Maravilhoso, Trás-os-Montes», (conferência), 1941; «Terra Firme, Mar» (teatro), 1941; «Diário I» (poesia e prosa), 1941. Aqui concebeu total ou parcialmente outras, lançadas mais tarde, mas não menos importantes: «Rua» (prosa), 1942; «Diário II» (poesia e prosa), publicado em 1943; «Portugal» (prosa), publicado em 1950; e o quinto e sexto dias de «A Criação do Mundo», lançados respectivamente em 1974 e 1981, onde relata, de uma forma romanceada, a sua experiência nesta cidade.

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O Jornal das Cortes e a Delegação de Leiria do INATEL, promovem, no próximo dia 2 de Fevereiro de 2008, um colóquio sobre «Miguel Torga em Leiria».', 'Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Rocha, nasceu a 12 de Agosto de 1907, cumprindo-se este ano o primeiro centenário do seu nascimento. A partir do Verão de 1939, o médico e escritor exerceu otorrinolaringologia em Leiria, onde viveu e escreveu algumas das suas obras.
A 30 de Novembro desse ano, foi preso a mando de Salazar devido à publicação da obra «O Quarto Dia da Criação do Mundo». Nas mãos da PVDE, foi de imediato transferido para a cadeia do Aljube, onde permaneceu até 2 de Fevereiro de 1940, retornando a Leiria, onde se manteve até, pelo menos, 1941.
Este período foi um dos mais marcantes da vida do escritor, mas é também um dos menos conhecidos. Por isso, o Jornal das Cortes tem em publicação uma série de artigos que surgiram de uma investigação sobre a vida de Miguel Torga nesta cidade. É a partir desta iniciativa que ganha corpo a proposta de realização de um colóquio comemorativo, onde a memória de Torga em Leiria se actualizará junto dos leirienses e não só.
O programa está ainda em desenvolvimento, mas espera-se a participação da filha do escritor, Dr.ª Clara Rocha, entre outros investigadores da vida e obra torguiana. 

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