Cerca de meia dúzia de meses após a sua instalação em Leiria, Miguel Torga foi detido pela PSP local - a 30 de Novembro de 1939 - e remetido à Directoria da PVDE, em Lisboa, que o trancou na cadeia do Aljube durante cerca de dois meses - até 2 de Fevereiro de 1940. Como descrevemos na última edição do Jornal das Cortes, esse foi um período muito difícil para o escritor, mas também muito rico do ponto de vista humano, pelas reacções de solidariedade que suscitou entre alguns dos seus amigos leirienses. Depois de libertado, o escritor voltou para Leiria, onde tratou de restabelecer a sua actividade profissional e acabou por tomar uma das decisões mais importantes da sua vida: o casamento.

O semanário «Região de Leiria» de 8 de Fevereiro de 1940 dá notícia do regresso de Miguel Torga a Leiria, mas não avança uma única pista sobre o motivo da sua ausência: «Está novamente à frente do seu consultório, na Rua Comandante João Belo, o distinto médico e especialista de ouvidos, nariz e garganta, sr. dr. Adolfo Rocha, que tantas simpatias conquistou nesta cidade pelos seus dotes de carácter e inteligência, e ainda pela forma proficiente e correcta com que atende os seus numerosos clientes. Felicitando s. ex.ª pelo seu regresso, desejamos-lhe as maiores venturas e prosperidades.»

Mas esta notícia não tem eco em mais nenhum órgão de comunicação local, embora Torga tivesse mandado publicar anúncios da reabertura do consultório em quase todos - optou não só pelo Região de Leiria, como até aqui, mas também pelos semanários «Portugal» e «O Mensageiro»; no entanto, limitou a iniciativa, nestes dois últimos, a três publicações. O anúncio, para além dos dados sobre a especialidade, a morada e o telefone (agora, só um número), incluía um lacónico «Retomou a clínica».
Este silêncio em relação à sua detenção parece ter sido menos o resultado do (relativo) secretismo em que o incidente ocorreu do que da acção censória imposta pelo regime. Não era costume noticiar-se a prisão dos oposicionistas, pelo menos nos jornais da ‘situação’… e os outros estavam sujeitos à tesoura…
Mas, entre a população, parece terem corrido rumores sobre o sucedido. No «Sexto Dia» de «A Criação do Mundo», o escritor queixa-se de ter enfrentado «uma campanha maquiavelicamente orques¬trada de descrédito profissional», a que não eram alheios alguns figurões da ‘situação’, a quem se juntara «a voz da Igreja, a precaver insidiosamente os fiéis con¬tra certo médico que até já tinha sido preso...»
A «má-língua» deu até azo a um processo em tribunal contra um antigo doente de Torga, que, para além disso, se recusara a pagar o serviço prestado pelo médico. Diz o autor a esse propósito: «dei meia dúzia de mur¬ros na cara de um dos detractores, a quem havia operado na vés¬pera da detenção, e que, a prognosticar-me o desterro para o Tarrafal, se pusera a vomitar aleivosias, depois de recusar o pa¬gamento da conta que devia ao operador ‘bolchevista’; pro¬curei-o, zurzi-o à porta de casa, fi-lo condenar em tribunal como caloteiro, mas não consenti que o Dr. Olívio executasse a sentença; repugnava-me o dinheiro do biltre».
Por outro lado, já outro médico da especialidade se tinha instalado na cidade, alguns dias antes da sua libertação, criando assim uma situação de concorrência que até ali não existia. Tratava-se do otorrinolaringologista António Alves Filipe, natural da freguesia das Cortes, que se estabelecera na Rua Tenente Valadim e publicitava o consultório em todos os jornais da cidade, incluindo «A Voz do Domingo».

Refazer a vida

Mas, não obstante as dificuldades, o médico empenhou-se na sua profissão «com devotado ardor» e rapidamente recuperou o prestígio e os doentes. Não terá sido estranho a este facto o reconhecimento da sua sensibilidade humanitária, operando gratuitamente os menos abonados. Aliás, um dos polícias que o prendeu acabou por se lhe dirigir com um filho doente, embora roído de vergonha pelo incidente.
Conta o autor do «Sexto Dia» que o polícia, «de orelha murcha, entrara no consultório acompanhado dum filho raquítico.
- O senhor doutor desculpe o atrevimento... Depois do que se passou, sei que não devia aparecer-lhe mais... Que eu apenas cumpri ordens... Mas a minha patroa não me largava... Que viesse, que viesse... E este meu pequeno... Sempre com anginas, não respira nadinha pelo nariz, um pisco a comer, enfezado...
Sem lhe responder, levantei-me e fui observar o doente.
- Isto já devia ter sido visto há muito...
- Estava-me a custar...
- Homem, o rapaz não é culpado da profissão do pai!... - desabafei.
- Realmente... É que as posses também não ajudavam... São seis irmãos… Oito bocas a comer do mesmo ordenado...
Com o garoto operado gratuitamente e a crescer sadio no meio da ninhada, o bufo não tinha limites nos encómios. E as suas palavras, por virem de quem vinham, pesavam no espírito de muitos dos que haviam sido voltados contra mim.»
Os sentimentos do médico em relação a Leiria foram, no entanto, muito afectados. Não bastara ter sido aqui preso injusta e arbitrariamente, havia ainda que enfrentar na praça pública as palavras venenosas dos seus detractores.
«Qualquer coisa de sagrado em mim não perdoava a quantos agora me denegriam a espécie de cumplicidade ulterior que davam à prepotência de que fora vítima», escreve Torga no «Sexto Dia».
Não obstante, os meses foram passando e o médico foi resistindo aos impulsos do poeta, que queria bater asas sob outro céu. Acabou mesmo por tomar uma decisão crucial para o seu futuro: o casamento. A noiva tinha-lhe sido apresentada em Coimbra por um dos seus amigos, Vitorino Nemésio. Andrée Crabbé, ensaísta e professora universitária de origem belga, nascida em 1917, fora aluna de Nemésio em Bruxelas, vindo em 1938 frequentar um Curso de Férias na Universidade de Coimbra.
Durante a reclusão do escritor, foi vítima de um acidente rodoviário nas Caldas da Rainha, quando se deslocava para o visitar. Internada em Coimbra, foi Torga quem acabou por lhe propiciar a cura.
Conta o autor no «Sexto Dia» que «o acidente fora na verdade grave, o tratamento dos ferimentos mal orientado e, quando julgava vir encontrá-la convalescente, ardia em febre. Fiz algumas observações irónicas ao médico assistente, mais interessado em demorar o internamento na casa de saúde, de que era dono, do que em abreviar a cura, sugeri nova terapêutica e passei a acompanhar de perto a doente. Dias depois estava apirética e passado algum tempo caminhava. Foi então que decidi tentar a sorte na roleta do matrimónio…»
O «Região de Leiria» dá, mais uma vez, nota deste episódio da vida do autor. Na sua edição de 1 de Agosto de 1940, noticia:
«No dia 27 de Julho efectuou-se, em Coimbra, o casamento do sr. dr. Adolfo Rocha, distinto médico especialista de ouvidos, nariz e garganta em Leiria, com D. Andrée Crablé [sic], de nacionalidade belga. Foram padrinhos os srs. drs. Paulo Quintela e Martins de Carvalho, ilustres professores da Universidade. Aos noivos desejamos as maiores venturas».
A escolha dos padrinhos criou alguns problemas de consciência ao escritor, mas talvez se tenha imposto pela sua íntima vontade de cortar amarras com Leiria.
«A lógica da gratidão mandava que fossem o Dr. Olívio e o Tomé os padrinhos escolhidos. Não lhe dei crédito. Embora menos devotados e pontuais, os outros é que estavam certos nas minhas contas letradas. Só eles, portan¬to, podiam alegar a meu respeito no tribunal do destino. O que os de Leiria compreenderam inteiramente, numa largueza de vistas que me enterneceu», confessa o autor.
O lar do casal foi «armado com trastes de feira numa antiga moradia de caseiros». No fundo da Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira existe mesmo uma foto da casa, localizada «junto à quinta do General Benevides», logo, na zona da Portela, perto do actual edifício da Câmara Municipal de Leiria.
Por essa altura, segundo testemunho de Alda Sales Machado, Andrée Crabbé Rocha arranjou trabalho em Leiria, ministrando um curso de «Francês Prático» no Liceu Rodrigues Lobo.
O que prova igualmente que as relações do escritor com algumas figuras importantes da intelectualidade local continuavam tão fortes como antes da sua prisão.

Debaixo de olho

O autor intensifica as suas viagens pela região e pelo país, no carro do Tomé (José Maria Lopes), acompanhado pela esposa e pelo Dr. Olívio (Alfredo Batista). É dessas viagens que surge a obra «Portugal», publicada posteriormente, em 1950.
De novo no «Sexto Dia», o autor relata essas aventuras a quatro. «Foi mesmo essa solidariedade deambulante - com raio variável, mas que de vez em quando se estendia até Bragança e Vila Real de San¬to António - que tornou possível o inventário minucioso que subjazia nas páginas sucintas que depois me saíam das mãos, ocupadas paralelamente numa segunda empresa. Cansada de tanta objectividade, a imaginação ia impondo os seus direitos. E, quase sem eu dar conta, quando fui a ver, ao lado desse livro aplicadamente descoberto, tinha outro ludicamente inventado, onde uma fauna estranha se movia a cumprir com romanesca naturalidade as leis da vida e da morte. A ideia de o escrever ocorrera-me nos tempos do Aljube, quando, fascinado, passava horas infindas a contemplar os jogos amorosos das pombas nos telhados da Sé. Afinal, a ternura, como os demais sentimentos, era património comum de toda a Criação... E lembrei-me de fa¬zer uma surtida no misterioso mundo dos irracionais. As pri¬meiras tentativas que então realizara falharam redondamente. Acostumado à insinceridade humana, o espírito tropeçava na sinceridade animal. Mas, já em liberdade, à custa de pertinácia, pareceu-me ter conseguido tornar verosimilhante em dois ou três casos uma vivência puramente instintiva. Um sapo sintoni¬zado com o silêncio germinal das seivas, uma cigarra a cantar vo¬luptuosamente no termo do calvário das suas metamorfoses, a casquinada de um melro a encher de esperança um coração fe¬minino desassossegado. E, mais confiante, prossegui. Sempre fora sensível à infinita variedade de formas de que o protoplas¬ma era capaz. E também a não sei que irredutível singularidade de cada uma delas, na configuração e, sobretudo, no comporta¬mento. Um corvo aziago a grasnar num ermo, um galo sensual a imperar num terreiro ou um gato de olhar vidrado a medir com desprezo o resto do mundo nada desmereciam, em carác¬ter, do bicho homem. E com o mérito suplementar de se assu¬mirem integralmente, sem a desgraça de cometerem o crime do mais leve desvio à condição».
Como se pode concluir, a actividade literária de Torga não abranda. Durante o resto do período leiriense publica «Bichos» (prosa, 1940), «Montanha» (prosa, 1941), «Um Reino Maravilhoso, Trás- os-Montes» (conferência, 1941), «Terra Firme, Mar» (teatro, 1941) e o «Diário I» (poesia e prosa, 1941). Em 1942 saem ainda os livros «Rua» (Prosa) e «Lamentação» (Poesia).
O livro de contos «Montanha» volta a trazer-lhe dissabores com a censura salazarista, sendo apreendido e proibido de circular, em 25 de Abril de 1941. Citamos de novo o «Sexto Dia»:
«Foi o Tomé que veio, alarmado, dar-me a notícia.
- Está outra vez metido em sarilhos...
- Porquê?
- Por que há-de ser? Ora pense bem... Não sabe o que es¬creveu?...
Apesar do aperto que senti no coração, fingi serenidade.
- Já contava. Mas diga, diga...
- Ia a entrar na livraria e ainda vi os tipos da PIDE a sair com o embrulho. Os sujeitos até queriam saber o nome dos compra¬dores dos dois exemplares que faltavam na consignação.
- E o livreiro?
- Entrou com eles. Que estava bem arranjado se tivesse de conhecer todos os fregueses...
- Só faltava que alguém fosse incomodado pelo simples fac¬to de me ler...
- Porque deram com o Raimundo, que também é do con¬tra. Senão...
- Bandidos!
- E agora?
- Agora, é esperar.
- E se o voltam a prender?
- Paciência.
Mas, felizmente, o caso ficou por aí.»
Renato Nunes, na sua obra «Miguel Torga e a Pide», aventa algumas hipóteses para o facto de não ter sido levantado qualquer processo-crime ao autor a propósito deste livro.
«Por um lado, os funcionários da DGC [Direcção Geral de Censura] poderiam ter considerado a obra «Montanha» menos “perigosa” para o bem da Nação. Por outro lado, poderia, ainda, ter pesado naquela deliberação a importância que naquele momento já tinha adquirido o nome do escritor. Relembre-se que a publicação da obra «O Outro Livro de Job» em 1936 granjeara ao autor certo prestígio. Além disco, a decisão de voltar a prender Miguel Torga, depois de um período tão escasso de liberdade, poderia vir a constituir mais um factor de instabilidade na construção da imagem interna e externa do regime. Se associarmos a estes motivos o momento sensível que o Estado Novo enfrentou durante esta época conturbada, marcada pela Segunda Guerra Mundial, poderemos compreender melhor as dificuldades sentidas pela DGC em tomar uma decisão sobre este assunto. Ao proibir uma determinada obra que já se encontrava em circulação no mercado nacional poder-se-ia estar a reforçar, no público, o apetite da sua leitura - algo de todo indesejável para o regime português».
O que é certo é que, a partir de 1939-40, Miguel Torga passou a ficar sob vigilância por parte das instituições repressivas do regime.
Logo em 1942, outro livro de Torga é alvo da atenção da censura salazarista, o volume de contos «Rua». No entanto, este não chegou a ser proibido, embora houvesse reservas por parte da DGC. Renato Nunes revela igualmente que «num relatório daquela Direcção-Geral, sem qualquer espécie de indicação que nos permita situar o momento em que foi realizado, somos confrontados com a informação de que o livro em questão, já arquivado, tinha sido enviado aquela instituição pela polícia política e, “embora inconveniente não foi autorizado nem proibido, por razões óbvias”».

De volta à Agarez alfabeta

A vontade de sair de Leiria continuava a dominar o espírito de Miguel Torga. Ao longo do «Sexto Dia» o autor relata a batalha que travava consigo próprio em relação a este assunto. Se o homem prático reconhecia as vantagens da sua situação pessoal e profissional de então, o poeta gemia, pelas feridas que lhe rasgavam a alma.
«Passara noites sem dormir, roído de dúvidas. Por que não continuar realmente ali, a ganhar o suficiente para ir viven¬do e a escrever sossegada e livremente, longe da perfídia dos ca¬fés e do atropelo dos interesses? Não seria de todo em todo a me¬lhor solução? Era com certeza. A voz dos detractores tinha-se calado pouco a pouco, vencida pela eloquência dos factos, os amigos de perto desfaziam-se em atenções, os de longe vinham visitar-me de vez em quando, mesmo à distância não deixava de dar aos livros a assistência devida. Que mais queria eu? O mal é que a maior parte das vezes o poeta caprichava em obedecer ao seu instinto absurdo. (…)
- E para onde vai, afinal? (…)
Coimbra, como não podia deixar de ser. Era ela, quer eu quisesse quer não, a minha Agarez alfabeta, o húmus pavimentado que os meus pés pisavam com mais amor.»
E Coimbra acabou por ser, como se sabe, a sua escolha. No entanto, o escritor continuou, durante algum tempo, a duvidar da justeza da sua opção de abandonar Leiria. Mais uma vez no «Sexto Dia», o lamenta: «Bem vistas as coisas, fora uma tolice rematada ter renunciado ao aconchego do seu regaço. Mas dava conta disso tardiamente, quando o mal estava feito e já não havia volta a dar-lhe. Deixara-me seduzir por uma miragem. Profissionalmente, não precisaria nela de lutar tanto; a abalada distanciara-me de afectos inestimáveis que sabiam enternecer um coração de poeta; quanto ao aspecto literário, pouco ou nada lucrara. Beneficiara, é certo, do convívio de alguns interlocutores mais qualificados e a proximidade dos prelos dispensava-me das antigas correrias durante cada edição. Só que Coimbra, em si, em vez da morada do espírito, era um sepulcro dele.»
A data da partida de Leiria difere bastante, nas versões dos diversos autores. Na «Fotobiografia», Clara Rocha aponta 1940, o que é obviamente incorrecto. Outros autores apontam 1941, que parece a data mais acertada. É certo que nessa altura o autor ainda vivia em Leiria. Basta cruzar algumas informações do «Sexto Dia» com outros dados externos para se concluir que assim era. Por outro lado, é a partir desse ano que desaparecem as entradas regulares no Diário referenciadas com «Leiria» - que se tornam, aliás, muito raras. Mas há indícios de que, mesmo que tenha sido nesse ano que o escritor se mudou para Coimbra, o corte não foi total. Os anúncios que publicou no «Região de Leiria», numa regularidade semanal raramente interrompida, continuam até 28 de Maio de 1942. O que indica que o consultório se manteve aberto, pelo menos, até essa data.
Muitos anos depois, em 1980, um grupo de leirienses, ligados ao Rotary Clube de Leiria e ao Orfeão de Leiria, decidiu fazer-lhe uma homenagem pelos seus 50 anos de actividade literária.
Numa entrada do Diário VIII, com data de 20 de Novembro desse ano, o autor redime-se em relação à cidade. E aí reconhece a importância que aquele curto período da sua vida teve naquele que havia se ser o seu percurso, enquanto homem e enquanto escritor:
«A vida pagou-me hoje a prestação mais isenta do saldo que tenho a haver nas nossas velhas contas. E soube encontrar o sítio certo para efectivar a amortização. Esta terra foi a grande encruzilhada do meu destino. Aqui identifiquei e escolhi os caminhos da poesia, da liberdade e do amor, sem dar ouvidos às vozes avisadas da prudência, que pressagiavam o pior. Aqui, portanto, arrisquei tudo por tudo, fazendo das fraquezas forças, das dúvidas certezas, do desespero esperança. Aqui era justo, pois, que, passados muitos anos e muitos trabalhos, eu viesse verificar com alegria que valeu a pena desafiar a sorte, que tive sempre uma mão-cheia de almas fraternas e solidárias a torcer por mim, e que as cicatrizes das feridas de ontem são os nossos brasões de hoje».

Carlos Alberto Silva


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