Nasceu em Leiria a 11 de Agosto de 1976. Exerce consulta psicológica com crianças e adolescentes. É assistente de Psicologia Clínica no Serviço de Pediatria do Centro Hospitalar de Leiria. No campo literário é co-autor com Susana Heleno e Carla Pinhal no livro “Juntos no Desafio – Guia para a Promoção de Competências Parentais”. Publicou em 2011, o livro de poemas “Sopro da voz”. Em 2013 o livro infantil “O menino que acordava as estrelas”. Finalmente no ano de 2014, publicou em parceria com a fotógrafa Sara Fabião “Vizinhança de olhares”, todos publicados pela editora “Textiverso”. Em 2013 ganhou o 1º e 2º prémios dos jogos florais Miguel Torga de Leiria.

João Pires – Além da escrita, sei que tens uma apetência especial pela música. Vi vários vídeos teus com fotografias e poemas escritos, acompanhados por dedilhados de guitarra tocados por ti.

Paulo Costa – Não consigo ter uma explicação para isso, mas a música é parte integrante do meu dia-a-dia. De certa forma a música inspira a escrita e a escrita também inspira a música. A apresentação de “Vizinhança de olhares” tem uma componente de poemas e fotos, mais um sítio onde se podem ouvir essas melodias em mp3.

JP – Nos teus poemas estão muito presentes os temas do mar, luz, as nuvens relacionadas com o alcançar da claridade. E o silêncio. Para ti o silêncio é uma virtude?

PC – Sim, porque necessito dos momentos de silêncio para introspecção, para pensar melhor sobre mim, usando a componente mais natural e mental.

JP – Nos teus poemas relacionas o sonho com universo, num sentido mais vasto…

PC – António Ramos Rosa tem aquela expressão “diálogo com o universo”. È o pensamento além do pensamento e que é o pulsar do próprio universo.

JP – Mesmo abrangendo um sentido religioso?

PC – Não, não vou por aí. Nos meus poemas já tenho usado a palavra “Deus”, mas só num sentido metafísico. Não como uma crença específica, não por haver um ser superior responsável pela “Criação”. Para mim essa entidade serve como referência aglutinadora, para gerar algo que não consegues explicar de outra forma.

JP – Natureza e infância, como relacionas isso?

PC – A natureza diria que me leva de volta a esses lugares e cheiros. Quando escrevo ou componho uma música, vejo que a natureza está sempre presente e não consigo abdicar disso. Os momentos mais genuínos de qualquer pessoa foram vividos entre a natureza.

JP – Codificas muito os teus poemas? Por exemplo quando abordas o tema do amor. Usas uma forma de escrita complexa para o fazeres. Uma espécie de código…

PC – Concordo, mas essa maneira de usar as palavras é espontânea. Manuel António Pina dizia que quando alguém lhe afirmava que havia interpretado um poema seu, isso estragava um bocado o mistério que o próprio poema encerra. Portanto, a minha maneira de escrever não é propositada para complicar, mas sim genuína. È aquilo que eu sou. Há certas palavras que eu construo, que eu não sei se existem, mas que pelo som dizem o que sinto.

JP – A chuva que irriga a semente e a árvore forte, que quer alcançar o céu. É um tema teu…

PC – Sim, porque as pessoas cada vez mais ocupadas e dependentes da cidade, estão perder o contacto com a natureza, com o cheiro da terra. E a semente permite que a vida germine e se transforme numa coisa melhor.

JP – O teu livro “vizinhanças de Olhares”, sei que tem tido boas vendas…

PC – Sim, tem vendido bem. E tem a particularidade de na primeira parte do livro – “Casas Contíguas”, a Sara fotografa para os meus poemas e na segunda parte – “Paredes Meias”, sou eu que escrevo para as suas fotos; o que permite fixar num espaço narrativo, expressivo e sensível, a natureza indissociável das imagens e das palavras.

 


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