Nasceu em Leiria no ano de 1977 e integrou vários projectos musicais, mantendo ao mesmo tempo actuações paralelas como cantautor. Em 2014 editou o seu álbum de estreia a solo intitulado “Lua de luto”. À sua voz forte, grave, original e por vezes gutural, junta-se uma opcção teatral que se traduz numa maior consistência dramática durante os seus concertos. Uma “opcção sincera” como ele afirma. Os seus temas abordam o lado negro humano, o sarcasmo e a comédia trágica; às vezes de uma maneira subtil outras de forma directa. Integrou os seguintes projectos: PADREDIABO – 1994; Assacínicos -  2003; Akhmatova 77 - 2008; Beijo Negro – 2008; Vanda – 2010; Brainderstorm – 2011; Bordel Ravel - 2014

João Pires – Achas que o facto de o homem ter atitudes mais violentas, resulta do subconsciente do próprio homem? Ou melhor, há pessoas que vivem num tormento diário para lidar com os seus próprios medos e desejos reprimidos, que o podem tornar violento e que em certa altura da sua vida os pode libertar, provocando dor no seu semelhante?

António Cova – Eu apenas continuo o registo que comecei na banda “Assacínicos” e que é incorporar a sinceridade na acção, que embora seja uma visão negra, ela é sincera e existe no mundo real, muitas vezes marcado pela violência, mas que não lhe é prestada a devida atenção pela sociedade em geral.

JP – Na mesma linha dos “Mão morta”?

AC – São diferentes. São mais virados para o indivíduo, enquanto os meus temas tocam mais o lado social e abordam histórias reais. No princípio fui muito criticado por alguns. Apelidaram-me do cantor da “dor de corno”, por os temas abordarem também as traições amorosas e a inveja alheia. Mas acabou por ser bom e ganhámos a notoriedade e o respeito de muita gente.

JP – A “dor de corno” foi um tema?

AC – Foram várias histórias sobre amantes e disputas de mulheres. Lembrei-me do tema porque pessoalmente tinha alguns amigos que tinham problemas no relacionamento com as mulheres. Não tinham mulher e a inveja aos que tinham era nítida e isto abrange toda a sociedade.

JP – O teu 1.º CD a solo, chama-se “Lua de luto”…

AC – Foi todo escrito por mim, excepto a letra de “Assassino” (Paulo Kellerman), e musicado por mim e pelo João Nascimento. A capa é uma fotomontagem com a capela da Nossa Sr.ª da Encarnação ao fundo. A ideia parte de uma noiva que no dia do seu casamento é atropelada por um carro funerário que trazia o corpo dum familiar, e morre.

JP – A primeira canção do álbum chama-se “Estou deprimido” e eu lembrei-me que, dados europeus, dizem que Portugal é dos maiores consumidores de anti-depressivos…

AC - Não fiz a música a pensar nisso mas também já pensei nesse facto. A canção é muito crua e fala de um homem que está no limite e a bater com os cornos em todo o lado. Quem está no limite, a maior parte, não consegue sobreviver mentalmente. Mas nem todos são deprimidos, grande parte sente dor e não consegue sair desse estado.

JP – Dás mais importância às palavras do que à música?

AC – Sim, não sou um executante exímio de guitarra, nem aprecio que se dê tanto valor à técnica de execução. Quando tenho uma ideia ela tem de ser estimulada por alguma personagem, depois junto-lhe a minha visão surreal e construo uma história.

JP – Tens actualmente um projecto com vários músicos que se chama “Bordel Ravel”, onde abordas por ex. o tema do desemprego usando de humor negro. O país é uma trágica comédia?

AC – O desemprego é um drama que nos toca a todos, mas às vezes temos que nos rir das nossas próprias tragédias.


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