Nasceu em 1983. Licenciada em Ciências da Comunicação e da Cultura, trabalhou em produção e comunicação cultural. Membro da Metamorfose (Associação cultural de Leiria). Viveu entre o meio fotográfico (o avô, pai e tio eram fotógrafos profissionais e reputados em Leiria). Só no final da sua adolescência emergiu esse seu gosto, que fortaleceu com um Curso de Fotografia Digital tirado em 2012. Até ao momento o seu trabalho de maior fôlego surgiu em 2014 em parceria com o poeta Paulo Costa, que culminou com a edição de um livro (Editora "Textiverso") intilulado "Vizinhança de olhares" e que tem alcançado algum sucesso. Actualmente é colaboradora da "Arquivo".

João Pires - Sara, participaste numa exposição no Mimo chamada re(Conhecer Leiria) na qual foi usado o espólio fotográfico do teu avô (completou há pouco tempo a provecta idade de 94 anos) e que são fotografias da nossa cidade...

Sara Fabião - Fiz parte da equipe técnica da exposição, fazendo recolha do seu material fotográfico.

JP - O teu avô e depois o teu pai, tinham uma visão artística?

SF - As suas fotografias retratavam sobretudo pessoas ou documentavam reportagens para jornais, como o "Diário de notícias" ou o "Primeiro de Janeiro". Quanto à exposição, a ideia surgiu a partir de um manuscrito que foi descoberto por Raul Faustino acerca da "Leiria antiga". Portanto, a intenção da exposição era o Raul Faustino explicar por palavras essa época antiga e o meu avô representá-la por imagens, aproveitando o facto de ele ter doado todo o seu acervo ao museu, que inclui, para além de equipamento fotográfico, 250 mil películas.

JP - O livro de poesia do Paulo Costa foi feito a meias com as tuas fotos...

SF - Essa oportunidade surgiu depois do Paulo, me falar da ideia de combinarmos as suas palavras com as minha imagens. Entretanto, passado um ano decidimos avançar com o projecto, porque esse era o momento certo. Para estimularmos a ideia, algumas vezes ele escrevia para as minhas fotos a preto e branco ou a cores; outras vezes era eu que fotografava para os seus poemas.

JP - Quando é que surgiu esse interesse pela imagem, tirando o facto de teres vivido e crescido rodeada de fotografias?

SF - Foi já um pouco tarde que fui alertada para esse mundo. Há uns anos tirei um curso fotográfico e foi a minha formadora Rute Violante, que me disse que eu "tinha um diamante dentro de mim". Essa frase produziu um "clic" e hoje em dia a minha mente regista imagens dentro de mim, que me estimulam o prazer e a arte pela fotografia.

JP - És purista em relação ao tipo de câmara que utilizas?

SF - Não, o material que utilizo é digital. Por exemplo, uso muito o telemóvel. Todas as fotos que tenho publicadas no "Instagram", foram tiradas com ele.

JP - Achas que a lonjura do tempo, também cria espaços mais amplos? Pergunto isto, porque o facto de gostares mais de fotografar a preto e branco, parece indicar uma relação mental com o mundo do teu avô. Mais vintage...

SF - Sim. Não sei se é mais vintage. Tem a  ver talvez com a melancolia. Daí ter uma preferência pelo ambiente da natureza, para captar as imagens. E o preto e branco provoca em mim, esse estado de espírito.

JP - Para ti, a cidade antiga é mais interessante de fotografar do que a cidade moderna?

SF - Não é por acaso que procuro lugares mais deteriorados. Talvez, porque esses espaços e construções, contam histórias prolongadas no tempo. E isso advém do meu gosto pela literatura e pela nossa cultura. Quando passo junto de casas vazias, tento imaginar a vida das pessoas que lá viveram.

JP - Procuras aquela foto especial?

SF - Muitas vezes tiro uma foto convicta da mesma, mas depois quando a vejo mais tarde posso já não lhe dar a mesma importância e o contrário também acontece. Como peça de arte uma foto pode ser interpretada de muitas maneiras, depende de cada pessoa que a observa. E sim, procuro aquela foto especial, só que ainda não a encontrei. É uma procura que não acaba. Se este ano determinada foto era especial, para o ano pode já não o ser. Até morrer procuramos sempre "aquela fotografia".

JP - Alguém disse: "A fotografia é a poesia da imobilidade, é através dela que vemos os instantes tal como eles são."...

SF - Eu posso estar com outra pessoa ao meu lado, a fotografarmos o mesmo cenário e no entanto as fotografias vão ser completamente diferentes. Depende da capacidade de cada um de nós e da cultura que transportamos. Tentamos mostrar o mundo através do "nosso olho". O nosso estilo influencia a foto.


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