Inês Bernardo nasceu em 1988 e é natural da vila de Maceira no distrito de Leiria. Os primeiros passos na música foram dados muito cedo, com apenas 15 anos estreou-se em televisão no campeonato nacional de karaoke, obtendo um promissor segundo lugar entre cerca de duzentos intérpretes amadores de todo o país. Teve aulas de canto com o professor Rui de Matos aclamado professor de canto da Operação Triunfo. A sua voz é firme e tem um timbre único. Integrou várias bandas de diversos estilos musicais como o Pop/Rock, o Soul, os Blues e também o Fado.  Foi finalista do Festival RTP da Canção 2011 com o tema “Deixa o meu lugar”, tendo sido de entre as doze finalistas a segunda mais votada pelo júri nacional composto por músicos de reconhecido valor. Actualmente faz parte da banda de música popular portuguesa "Catraia". Formação composta por Inês Bernardo na voz; Ricardo Silva na Guitarra Portuguesa; Rui Amado na Guitarra Clássica; Adelino Oliveira no Contrabaixo e João Maneta nas Percussões. E como artista convidado Paulo Bernardino nos Clarinetes. No final de 2014 lançaram o primeiro CD intitulado "Catraia".

João Pires - És a cantora do grupo musical "Catraia", como é que isso surgiu?

Inês Bernardo - É assim, independentemente do facto de trabalharmos em  projectos musicais diferentes, quando formámos a banda a nossa vontade era que tivesse a ver com a música de cariz popular portuguesa. Que fosse   fácilmente indentificável com a cultura portuguesa, mas acrescentando ao mesmo tempo um certo modernismo. Uma junção do tradicional com o moderno. Já conhecia alguns dos membros da banda, mas nunca tínhamos trabalhado juntos.

JP - A tua voz algo juvenil e que eu acho muito original, contribuiu para o nome da banda?

IB - O nome surgiu já depois de termos alguns dos temas prontos. Nessa altura andávamos a pensar num nome para a banda e calhámos a passar na zona dos Milagres, que tem uma pequena ponte de nome Catraia. E alguém disse: “Então e Catraia?”. É um nome muito português e faz parte do nosso vocabulário popular.

JP - E a tua voz e imagem passam essa mensagem. Tu és uma catraia num sentido figurado...

IB - Exacto. Indentifico-me perfeitamente com essa personagem...

JP - Quem compõe as canções dos "Catraia"?

IB - O Rui Amado, o João Maneta e o Ricardo Silva.

JP - Tens preferências pessoais a nível de canto ou vocalistas que tu admires?

IB - Tenho. Gosto muito da música dita do mundo como os blues ou o jazz, cantada em estrangeiro ou em português. Etta James, Janis Joplin, Amália ou José Afonso. Apesar de clássicos, continuam a influenciar a geração actual.

JP - Alguém disse: "A música é a arquitectura do silêncio". Isto vem a propósito de uma canção vossa, de que eu gosto em particular, “Pontes sobre oceanos", em que geres muito bem os tempos e os silêncios. E ao mesmo tempo pareces saborear com "feeling" as palavras...

IB - Tive aulas de canto alguns anos e tento aplicar essa experiência o máximo possível. Eu acho que um cantor deve sentir o que canta, porque o contrário não faz sentido. As palavras podem ser tristes ou alegres e nós temos de jogar com isso para transmitir emoções. É como em todas as artes.

JP - Cantar em português é para vocês motivo de honra?

IB - Sim, é um dos objectivos principais. Portanto, cantar em português é fundamental, mas não definitivo. Acho que se pode sentir em qualquer língua, mesmo que não seja a nossa. Lembro-me de em pequenina ouvir Aretha Franklin e eu absorvia completamente essa maneira de cantar.

JP - Os teus pais contribuíram para a tua cultura musical?

IB - Principalmente o meu pai… costumava comprar CDs para eu ouvir.

JP - Quais são os temas das vossas canções?

IB - São muito variados. Andam à volta de histórias que eu, como "catraia", tento passar a quem nos ouve através das sensações. Há por exemplo a canção "Briga" que gira à volta da vontade própria. Em que o mundo diz só haver uma maneira de fazer as coisas e ela, “catraia”, diz que não, que existem maneiras diferentes de resolver os problemas. Tanto a "Pontes sobre oceanos" como a "Canção de quem cá fica" têm como tema a emigração. Já a canção "Doçura e travessura", devido ao seu sucesso junto do público principalmente juvenil, tornou-se para nós uma obrigação apresentá-la nos concertos, embora não faça parte do CD.

JP - Tocam para todos os públicos?

IB - Sim, é uma nossa ambição trazer as famílias aos nossos espectáculos. Sejam pais, filhos ou avós.

JP - A música pode mudar o mundo, porque pode mudar as pessoas?

IB - Sem dúvida. E nesse sentido a música devia ter mais peso na educação das crianças. Estes últimos anos houve muitos cortes na cultura duma maneira geral, o que tem condicionado muito a educação em Portugal. As pessoas confundem muita cultura com entretenimento. Os adultos deviam ter consciência que estão a fazer mal às novas gerações, ao condicionar assim os interesses dos mais novos.

JP - Costumas ver o programa de TV "Os ídolos"?

IB - Vi a primeira edição e depois nunca mais vi. É criada uma ilusão muito grande em quem participa. Porque no mercado da música é muito difícil alcançar uma carreira de vários anos e os concursos não atalham essa rampa, por vezes até atrapalham. Quanto à música em si, é pouco aprofundada, acho que o programa serve mais para gerar audiências tal como uma novela ou um qualquer programa mais sensacionalista.


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