Artur Franco, nasceu em Leiria em 1950. Revelando desde muito novo uma excepcional predisposição para desenho e pintura. É já um nome conhecido e reconhecido no mundo das artes plásticas. Naturalista figurativo, tem desempenhado um papel muito importante no registo pictórico das nossas aldeias, cidades e gentes. Ora pintando a óleo sobre tela, ora discorrendo o seu sentir num total domínio da aguarela. Dedica-se também à arte do retrato, vendo para além da epiderme do seu modelo a expressão dos seus sentidos e o que lhe vai na alma, fixando na tela a espiritualidade das formas e a poesia da cor. Com muitas exposições individuais e colectivas de norte a sul do país, e, algumas no estrangeiro incluindo, Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Bélgica. As suas obras encontram-se em museus, empresas, locais públicos e 

muitas colecções particulares.

João Pires - Como considera a actual situação da pintura?

Artur Franco - É uma situação negra. Está tudo falido e deriva da ganância que existe e que não nos leva a lado nenhum. É como na bolsa de valores. Preços exorbitantes pelos mesmos nomes de sempre, depois há alguém que descobre um quadro que não se sabia que existia. Descoberto numa cave, que depois vai à praça e vale quinze milhões.

JP - Está a dizer que há manipulação em momentos específicos, para criar especulação no mundo da arte? No meio dessas obras podem haver falsificações?

AF - Também, também...

JP - E em Portugal?

AF - Temos aquela grande artista que vive em Londres: Paula Rego. Antes dela foi a Vieira da Silva que criou o seu próprio estilo. Também devíamos dar valor a outros nomes. Estou-me a lembrar de Graça Morais, uma mulher com um enorme talento e força, por exemplo. A gente lê o jornal e ficamos a saber que se vendem cada vez mais "porches". Então, deve haver cada vez mais ricos e quantos são os pobres? A vida real não corresponde ao que a gente houve falar. Somos o país mais pobre da União Europeia. Temos mais pobres do que a Grécia...

JP - Vivemos uma ilusão?

AF - Somos um povo anarca, que não sabe os seus objectivos... não sabe mandar nele próprio. Continuamos a ser "zé povinho" e não passamos disto. Os políticos tomaram conta de tudo.

JP - E os artistas?

AF - Os artistas são uma massa diferente da humanidade e importam-se com o modo como as pessoas vivem.

JP - O Franco é um pintor "naturalista - figurativo"?

AF - Sim, mas com tendências impressionistas. Um artista pode ter várias fases. O próprio Picasso que eu muito admiro, foi numa certa altura um pintor naturalista. Eu dou muito valor aos impressionistas, porque vinham para a rua e pintavam ao vivo. E tinham pouco tempo para o fazer, porque o sol ia mudando e portanto a luz alterava-se. Traziam a arte para as pessoas. Monet, pintou os mesmos lugares em tempos e momentos diferentes. Fosse no verão ou no inverno, com sol ou neve, etc. Mas tenho também outros grandes pintores portugueses de seus nomes: Silva Porto e José Malhoa, que tinham uma visão extraordinária da luz e da cor; e que retrataram como ninguém a natureza e os costumes do nosso povo.

JP - As influências criam o estilo?

AF - Antes de sermos pintores, temos de aprender a desenhar. Muito desenho e pintura que começa primeiro, copiando o trabalho dos consagrados. Vi por exemplo, muita gente a desenhar no museu de Orsay. Quando tinha oito ou nove anos, eu já desenhava e pintava caravelas ou monumentos. São coisas que nascem connosco. Eu costumo dizer que a pintura nasceu para mim em 1959, quando inauguraram o castelo. A minha mãe chamou-me para ir ver e eu levei comigo os lápis de cor para o retratar. Se fosse outro miúdo com outros gostos, não o teria feito.

JP - E quais os temas preferidos?

AF - Actualmente são as mulheres e a água. Símbolos da vida. As lavadeiras, os rios, cascatas, etc. Tenho um quadro que teve enorme sucesso e do qual foram impressos um milhão de posters, cujo tema foram os pescadores e as varinas da Nazaré... na Nazaré toda a gente tem um poster meu. Venderam-se para todo mundo incluindo o Japão. Neste momento até tenho uma exposição na Nazaré.

JP - Pintura a óleo ou aguarela?

AF - Aguarela sem dúvida. Há pormenores no óleo que não consigo dominar e também, porque gosto mais de trabalhar em aguarela. 


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