Nasceu a 26 de Outubro de 1984 na Marinha Grande. Compositor emergente com uma forte identidade e uma invulgar capacidade de trabalho. Depois de concluir um curso de produção, André Barros rumou à Islândia para trabalhar no estúdio Sundlaugin, fundado pelos Sigur Rós. Mas respirar a mesma atmosfera que este projecto que tanto admira não o impediu de descobrir o seu próprio estilo como compositor e pianista. O CD “Circustances”, lançado em finais de 2013 pela Omnichord Records, mereceu elogios da imprensa especializada e apresentou no panorama nacional a sua visão musical, nostálgica, profundamente poética, tranquila e mágica. Uma visão apoiada em melodias fundas que evocam memórias mais ou menos difusas. Essa capacidade que a sua música tem de evocar imagens levou a que vários convites fossem dirigidos a André Barros. A sua banda sonora para a curta metragem "Our Father" da norte-americana Linda Palmer, com Michael Gross no papel principal é um dos resultados desse gosto pelo grande ecrã. E foi com este filme que venceu o prémio para melhor banda sonora no certame Los Angeles Independent Film Festival Awards, atribuído no início de 2015. Já em Maio deste ano foi editou o CD “Soundtracks Vol. I” pela Omnichord Records com distribuição da Sony Music.

João Pires - André, embora tenhas o curso de direito optaste pela música, mais concretamente pelo piano, porquê?

André Barros - Sim, optei acima de tudo pela felicidade naquilo que faço! O retorno que tenho pelo trabalho a que me dedico, enquanto músico e compositor justificou essa escolha que, de início não foi fácil. Através da música que componho, quer na sua vertente concerto ou banda sonora, consigo potenciar as emoções em quem me ouve, o que considero ser um autêntico privilégio é de certa maneira, a minha forma de ir mudando o mundo!

JP - Adquiriste alguma formação clássica?

AB - Não, não tenho qualquer formação musical quer de teoria quer de instrumento, pelo que todo o meu percurso nesta indústria é uma permanente aprendizagem! Não me sinto de nenhuma forma constrangido por ser autodidacta, pelo contrário, sempre vi a música como algo irracional e é assim que a crio, de uma forma absolutamente espontânea.

JP - Como foi viver num país como a Islândia, que é tão diferente do nosso?

AB - Tive a oportunidade incrível de estagiar no estúdio Sundlaugin, em Álafoss, uma vila a cerca de 30 minutos da capital. Escusado será dizer que aquele país é absolutamente deslumbrante, quer pela paisagem surreal que ostenta (vulcões, glaciares, geysers, cascatas, etc.), quer pela forte identidade cultural das suas gentes, a Islândia é contagiante.

JP - Foi nesse estúdio Sundlaugin que conheceste a banda "Sigur Rós" da Islândia. Além da admiração que nutres por eles, tens muitos pontos de contacto com o seu estilo musical?

AB - Sou profundamente influenciado pela sua sonoridade, sem dúvida. Os meus pontos de contacto com a sua música passam pela nostalgia, pelos temas maioritariamente instrumentais, pela sonoridade cinematográfica e pelo uso de piano e cordas. No entanto, os nossos trabalhos são muito distintos, parece-me, enquanto o meu se enquadra no âmbito da música clássico -contemporânea e minimalista, o dos Sigur Rós pertence de uma forma geral, ao mundo do chamado post-rock.

JP - Adoras compor bandas sonoras para filmes. Isso resulta do fascínio pelo cinema como cinéfilo ou gostas do desafio de interagires, com os diferentes sentidos de quem realiza toda essa acção através da imagem?

AB - Sim, dá-me imenso prazer compor para imagem, quer pelo desafio que representa, pois a minha liberdade criativa será sempre limitada pelo que se quer transmitir com o enredo, quer pelo gozo que tenho em escutar a minha música como catalisador de emoções num filme!

JP - Consideras a tua parceria com Valter Hugo Mãe, como um ponto de viragem no teu mundo musical?

AB - Não, não diria tanto, foi apenas uma colaboração no tema Gambiarras, editado no meu mais recente álbum “Soundtracks Vol. I”! Já o conhecia e aprecio imenso o seu trabalho, sendo que convidei o autor para escrever um curto poema e lê-lo para o efeito e ele aceitou!

JP - Quais os autores que acreditas terem influenciado de alguma maneira a tua formação?

AB - Se tiver de escolher alguns dos nomes de compositores cujo trabalho me fascina e, de certa forma, me influenciam no meu trabalho, diria Ólafur Arnalds, Max Ricther, Philip Glass, Wim Mertens e Clint Mansell.

JP - Explica-me esse projecto que tens em paralelo e que se chama "Melodium".

AB - “Melodium” é um projecto criado em finais de 2013 por mim e pela minha namorada, a Joana Santos que é bailarina profissional de clássico e contemporâneo. Trata-se de interpretações ao vivo de música composta por mim mas interpretada por um violoncelo a solo, acompanhado pela Joana a dançar com coreografias da sua autoria. Este projecto encaixa-se perfeitamente em todo o género de eventos e espaços, desde hotéis, quintas a lojas ou em espaços exteriores. Os Melodium surgem obviamente de uma paixão pela música e pela dança, mas claro como resposta a um mercado exigente como é o desta indústria que nos obriga, e bem, a sermos criativos e empreendedores de forma a criar um sustento alternativo. Para melhor o conhecerem, visitem www.melodiumproject.com.


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