Nasceu em Leiria em 1986. Estudou Artes Plásticas na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha. Vencedor do Prémio Fidelidade Mundial Jovens Pintores em 2009. Em 2015 foi Vencedor do Prémio Aquisição Amadeo de Souza-Cardoso. Exposições individuais que realizou: 2008, Dysfunctional (the titles of exhibitions sound better in English), Galeria da Livraria Arquivo, Leiria; 2009, The titles of exhibitions still sound better in English, Atelier-Museu António Duarte, Caldas da Rainha; 2010, Um dia deste, 3+1 Arte Contemporânea, Lisboa; 2012, O que fazer com isto, 3+1 Arte Contemporânea, Lisboa e Prédios, àrvores e uma luz bonita, a9)))), Leiria; 2013, Os filmes que não vi aqui, Teatro José Lúcio da Silva, Leiria; 2014, Psalm, Galeria Cossoul, Lisboa; 2015, A pequena realidade, Galeria 3+1, Lisboa. Das exposições colectivas destacam-se: 2013, Prémio Novos Artistas EDP; 2012, Tem calma, o teu país está a desaparecer, Galeria Zé dos Bois, Lisboa; 2011, Guimarães Arte Contemporânea 2011, Palácio Vila Flor e Laboratório das Artes, Guimarães; Em 2008, Anteciparte ’08, Museu da Cidade, Lisboa. Vive e trabalha em Lisboa.


João Pires - Tiago, estás ligado ou trabalhaste para alguns fanzines no campo da banda desenhada. Há algum autor dessa área que admires e que seja para ti uma referência? Há quem diga que BD é uma arte menor...

Tiago Baptista – Há imensos autores de BD que me influenciaram e que me influenciam, nomeando alguns: Robert Crumb, Chris Ware, Daniel Clowes numa fase inicial foram importantíssimos para mim. Mais recentemente: Joost Swarte, Emmanuel Guibert, Tiago Manuel, Francisco Sousa Lobo, Joe Sacco, Nina Bunjevac… são leituras que me têm estado muito próximas. A BD não é uma arte menor, não acho que haja artes menores, há Arte que é um conjunto muito vasto de práticas. Mas de facto a BD tem sofrido essa categorização porque durante várias décadas esteve ligada ao mundo infanto-juvenil, com os super-heróis e outros aventureiros a serem a face mais visível desta prática e por isso aquela que se assume como a única, mas isso não é verdade. No início da BD (séc. XIX e princípios do séc. XX) tudo estava mais aberto e interligado, os autores de BD eram também pintores, por exemplo, Como é o caso do artista alemão Lyonel Feininger, que era um excelente pintor e que também fazia BD e cá em Portugal temos o Bordalo, mas não só. Também há a BD de pendor auto-biográfico, em que os autores enveredam por contar histórias da sua vida ou inspiradas na sua vivência, como no trabalho desenvolvido por Harvey Pekar, Robert Crumb, Marco Mendes, Marcos Farrajota, Alison Bechdel, Joana Estrela, entre outros.

JP - Dizes que há alturas em que te viras para a BD, quando não consegues exprimir certas coisas através da pintura. Que coisas são essas?

TB – Tem a ver com um certo sentido de tempo, da passagem do tempo, como se a BD pudesse funcionar como pequenos filmes experimentais. Na pintura temos uma imagem estática, onde podemos apenas imaginar o que acontecerá depois ou o que aconteceu antes, é como uma fracção de tempo congelado. Na BD as personagens podem falar, pode haver legendas que complementam o desenho. Mas há pontos em comum entre a pintura e algumas histórias de BD, talvez haja em comum uma certa desadequação à realidade. A Banda Desenhada apresenta-se sempre para mim, como um espaço de liberdade e experimentação. A pintura também é um vasto território de experimentação, mas tem mais a ver com a relação de um corpo perante uma imagem/pintura. A BD é para ser lida, preferencialmente num livro/publicação, é um outro tempo, uma outra relação com o corpo.

JP - És um admirador confesso de grandes clássicos do cinema e isso é notório nos teus quadros. E como no cinema vejo que transmites algum dramatismo aos teus trabalhos. Isto que eu disse é verdade? Gostas de transmitir tensão nas tuas telas?

TB – Sim. Gosto de transmitir tensão nas minhas telas. Esse é o ponto em que penso que uma pintura funciona. Mesmo quando não há tensão representada. Mesmo quando há um vazio, espero sempre que desse vazio possa surgir tensão. Gosto muito de cinema, é verdade, muitas das ideias que uso para o meu trabalho provêm de momentos em que estou a ver filmes, que encontro nos detalhes, nas posições das personagens, nas cortinas, nas texturas dos cenários. Estou sempre atento, à procura de algo, mesmo que na maior parte das vezes as ideias apareçam quando estou distraído.

JP - Achas-te um artista cerebral? Digo isto porque na tua entrevista falada sobre o teu livro com desenhos: "Stalker", baseado no filme do realizador Andrei Tarkovsky, noto que organizaste o teu livro de uma forma pormenorizada e mental...

TB- Não me acho um artista cerebral, de todo. Se me caracterizasse não seria desse modo. Embora haja momentos em que até o sou demasiado. No trabalho de pintura estou mais aberto à intuição na construção da imagem e às relações que se podem estabelecer entre as figuras, mas há momentos em que não consigo trabalhar porque estou a pensar e recuo, faço um afastamento para tentar perceber o que estou para ali a fazer, mas nem sempre percebo o que estou a fazer, quase nunca. Na BD sou mais cerebral, sim, exige mais racionalidade na construção das pranchas, na sequência dos planos, talvez haja na BD uma maior vontade de comunicação, de clarividência, mesmo quando são BDs mais experimentais. Penso que seja por isso que o trabalho de BD complementa a pintura. É como se houvesse um equilíbrio entre a racionalidade da Banda Desenhada e a intuição da Pintura.


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