É detentor do prestigiado “Diplôme Supérieur d’Exécution” em Piano da Ecole Normale de Musique de Paris, licenciado e mestre em Música e Musicologia pela Université Paris-Sorbonne. Iniciou os seus estudos musicais aos onze anos no Conservatório de Artes do Orfeão de Leiria com o Professor de piano Luís Batalha. Trabalhou também com as orquestras dessas instituição sob a batuta do Maestro Alberto Roque. Prosseguiu os estudos de piano na Ecole Normale de Musique de Paris, onde trabalhou com Marian Rybicki e Guigla Katsarava, e os estudos de musicologia na Université Paris-Sorbonne. Ganhou o 2º prémio no XVº Concurso Internacional de Piano Maria Campina (1º prémio não foi atribuído) e o 1º prémio “Musicologia” no 8º Concurso “Jeunes solistes de la Sorbonne”. Em 2015, João Costa Ferreira foi galardoado pela Cap Magellan com o prémio “Melhor revelação artística”. Atua em salas de espetáculos de Portugal, Espanha, França e Holanda, tendo já gravado para a RDP Antena 2. Foi ainda solista num concerto com a Orquestra Filarmonia das Beiras sob a direção do Maestro Ernst Schelle. Em 2009, iniciou a sua atividade de pedagogo, sendo convidado como assistente do pianista francês Jean Martin para atuar e lecionar no âmbito de masterclasses realizadas em França. Durante o ano letivo 2014-2015 lecionou, enquanto tutor, na Université Paris-Sorbonne. Atualmente, é docente no Conservatório Georges Bizet de Paris. Recentemente, fez a revisão e prefácio das Cinco Rapsódias Portuguesas e também da Balada sobre duas melodias portuguesas, op. 16 para piano de José Vianna da Motta para uma publicação inédita na editora AvA Musical Editions. 

João Pires - Tem trabalhado na edição de obras compostas por José Vianna da Motta, uma referência da música clássica portuguesa. Também interpretou em concertos obras de Liszt, Debussy, Bartók, entre outros. Estes são os compositores que mais têm marcado a sua carreira de concertista?

João Ferreira - Dos compositores que mencionou, apenas Franz Liszt e Claude Debussy têm acompanhado o meu percurso de pianista já desde os tempos em que estudava na Escola de Música do Orfeão de Leiria. Mas muitos outros têm, desde então, feito parte do meu repertório, como por exemplo Chopin, Beethoven ou Mozart. São tudo compositores bem conhecidos do público em geral e talvez por isso eu tenha desde muito cedo começado logo por estudar as obras destes mestres. Compositores menos conhecidos – como Bartók, Ravel, Scriabin ou Prokofieff – estão também presentes no meu repertório, mas isso talvez não seja tão percetível justamente por serem menos conhecidos. José Vianna da Motta, é bastante desconhecido do público em geral, inclusivamente do público português. Atualmente, este é o compositor que marca mais profundamente os meus projetos relacionados com a interpretação ao piano e com a investigação visto que me encontro a preparar um vasto repertório deste compositor para dar a conhecê-lo em concertos e visto que passei os últimos dois anos a elaborar uma tese de Mestrado sobre a obra de Vianna da Motta na Université Paris-Sorbonne.

JP - Ouvi o seu pai dizer numa entrevista que tem uma natureza inata para a música. A chamada música erudita foi uma escolha imediata? Li um artigo de opinião onde faz referência ao jazz e pensei perguntar-lhe se pensa um dia debruçar-se sobre este género musical.

JF - Não sei se se pode dizer que tenho (ou que se possa ter) uma “natureza inata” para a música. No que me diz respeito, posso afirmar que tenho sobretudo uma capacidade de trabalho que me permite ultrapassar as dificuldades com que me vou deparando e uma força de vontade que me mantém firme nos objetivos que pretendo alcançar. Dedicar-me à interpretação e ao estudo da música clássica não é o resultado de uma escolha consciente no sentido de acolher uma coisa e rejeitar outra. É sim fruto de um gosto que se foi construindo gradualmente desde as primeiras aulas que tive no Orfeão de Leiria até aos dias de hoje. O facto de não me dedicar ao jazz prende-se com a pouca energia que despendi, e que tenho despendido, a construir um gosto pela interpretação do jazz ao piano. E isso não me parece que vá mudar. Apesar disso, gosto muito de ouvir jazz.

JP - Tens em vista algum projeto musical, como por exemplo a edição de um CD?

JF - Tenho vários projetos em curso, um dos quais diz respeito precisamente à edição de um CD. Com efeito, recentemente assinei um contrato com a editora discográfica Naxos – uma das maiores distribuidoras mundiais de música clássica – para a gravação de um CD dedicado a obras inéditas de José Vianna da Motta. As gravações estão previstas para o final deste ano pelo que o CD só será lançado em 2017. A RDP Antena 2 mostrou interesse em participar neste projeto pelo que ela será responsável pela captação áudio. Para além disso, tenho vários concertos agendados para breve, em Portugal, França e Holanda, concertos onde terei a oportunidade de interpretar algumas das obras do CD mas também outras composições como o Noturno em Ré Bemol Maior de António Fragoso ou a conhecida “Sonata ao Luar” de Beethoven. Desde o final do ano passado tenho também trabalhado arduamente com o pianista francês Bruno Belthoise na preparação de obras compostas para piano a quatro mãos. Temos dedicado este projeto à interpretação de compositores como Gabriel Fauré, Florent Schmitt, José Vianna da Motta e António Victorino d'Almeida. Fizemos ainda duas encomendas de obras para piano a quatro mãos aos compositores Carlos Marecos e Edward Luiz Ayres d'Abreu. E já Temos também vários concertos agendados.

JP - Poderemos ouvir composições tuas num futuro próximo?

JF - Infelizmente, os inúmeros projetos que tenho em curso não me permitem encontrar tempo para compor. Talvez um dia, quem sabe, consiga dedicar-me a essa arte mas não creio que tal se venha a concretizar nos próximos tempos. A última vez que compus foi no meu último ano de estudos no Orfeão de Leiria, em 2005. Escrevi uma peça para piano e orquestra de sopros, peça que foi interpretada por mim e pela orquestra de sopros daquela instituição sob a direção do Maestro Alberto Roque. Foi um momento simbólico pois assinalava o culminar de oito anos de estudos musicais que me iriam levar até Paris. Por essa razão tenho, ainda hoje, esse dia bem presente na minha memória.

JP - Está a viver em França há dez anos. A mudança foi determinante no seu percurso de vida e musical?

JF - O facto de estar a viver em França há dez anos é em si bastante revelador da importância que a minha mudança para Paris teve no meu percurso de vida. Ter prosseguido os meus estudos musicais em Paris foi extremamente importante para mim. Graças a isso pude trabalhar em prestigiadas instituições de ensino com professores de piano de renome internacional que me transmitiram conhecimentos valiosíssimos sobre interpretação e técnica pianísticas. Não me arrependo de nenhuma das opções que tomei pois sinto que tudo o que aprendi em Paris foi essencial para a minha construção enquanto pianista e investigador. Aquilo que sou hoje reflete-se nos projetos que tenho vindo a construir. A relevância e qualidade desses projetos são fruto dessas decisões.


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