bruno intervNasceu em Paris em 1979. Viveu desde os 3 anos de idade na região de Leiria. É licenciado em História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa e formado em Cinema de Animação pela Fundação Calouste Gulbenkian. Como ilustrador conta com colaborações no Jornal Sol,  Expresso e Jornal de Leiria. Foi nomeado em 2007, 2008,2009  para o Prémio Stuart de Desenho de Imprensa. Venceu o prémio de ilustração Maria Alberta Meneres em 2011. Na pele de artista plástico participou em exposições colectivas e individuais. Foi um dos dez representantes de Portugal, em 2008, no DVD - Project, com um vídeo projectado em vários países, como na Electron Breda (Holanda), na Galeria Ex Teresa Arte Actual (México), nos Maus Hábitos e na Fábrica Braço de Prata (Portugal), e ainda nas Canárias/Espanha. Os seus projectos mais recentes  são: o "Olhares sem abrigo" de cariz internacional (as capitais do mundo  fotografadas pelos sem abrigo, com máquinas fotográficas descartáveis que o Bruno entrega). O "Cinantrop" (festival internacional de cinema etnográfico) do qual é fundador, que irá acontecer pelo quarto ano consecutivo em Outubro, nos museus da Alta Estremadura, em Lisboa e China.  Criou o prémio António Campos para homenagear o realizador leiriense e para elevar  a nossa região a capital do cinema etnográfico. Desde 2013 que escreve crónicas de viagem para vários jornais e revistas, destacando-se o semanário Sol e o jornal i. Também contou com  reportagens da sua autoria  no canal de televisão SIC (telejornal da noite) : Pela Estrada Fora (viagem pelo país real ao volante de uma Macal). A ultima viagem  que terminou em Dezembro, foi o Pela Costa Fora (percorreu a costa portuguesa e arquipélagos à boleia em diferentes embarcações e que terá a publicação de um livro. Em 2015 foi condecorado com a medalha de prata de Mérito Cultural, pelo Município da Batalha. Neste momento encontra-se a dar a sua volta ao mundo. Levou  a Mala Lusa na qual transporta música, artes plásticas, poesia  e cinema, tudo de autores portugueses, para mostrar nos locais por onde passa. Alta Estremadura é a região privilegiada deste projecto.

 

 

João Pires - Numa crónica tua para o jornal "Sol", escreveste a determinada altura: " A viagem começa em nós e só termina quando paramos de sonhar. Acho que estou longe do fim. É como se procurasse uma coisa que não existe, mas que me empurra para a fazer."

Bruno Gaspar - As viagens sempre fizeram parte da minha vida. Desde vir de comboio de Paris para Pombal com os meus país, tinha eu 3 anos de idade, até à grande aventura de verão, montado na bicicleta para ir das Torrinhas ( aldeia onde cresci) até às Cortes para os mergulhos de verão. A dimensão de uma viagem depende da maneira como a sentimos. Pode ser enorme uma viagem até à Nazaré e muito pequena a travessia de um continente. 

 

JP - Dedicaste uma crónica sobre uma visita guiada que fizeste à Casa Atelier de Vieira da Silva (para a RTP), na qual falas da tua grande admiração por ela. É a tua maior influência ao nível das artes plásticas?

BG - A minha maior referência é o Pablo Picasso, na medida em que criou obra sem preconceitos  de materiais e em diferentes linguagens.  Ele afirmava que se não tivesse tinta, pintava com terra, se necessário usava merda. É com a vontade  de me adaptar  às circunstâncias que desenvolvo o meu trabalho. Com muito ou pouco dinheiro, não deixo de fazer acontecer as minhas ideias. A Vieira da silva é mais uma diva das artes para mim. A minha relação com ela é mais contemplativa. Foi a obra dela que me despertou interesse pelas artes, quando tinha 13 anos. Foi por causa da sua fundação que abriu em Lisboa para expor a sua obra, que eu comecei a ir de autocarro com uns 14/15 anos para ver as pinturas ao pormenor. 

 

JP - Li uma parte dos teus escritos e acho que tens muita poesia nas palavras que escolhes. Nunca te sentiste deslocado durante as viagens que fazes?

BG - Quem viaja como eu deve saber adaptar-se. Um viajante é um invasor. Ele partiu com uma missão: chegar  ao desconhecido e por isso interfere no território dos outros. Nesta viagem pelo mundo que comecei na Ásia, as diferenças evidenciam-se, mas sou eu que tenho de me  encaixar respeitando quem me recebe. É essa a magia da viagem...

 

JP - A pintura como arte abstracta ou arte interventiva?

BG - Neste momento a minha pintura é mais interventiva, na medida em que pinto os meus pontos de vista sobre os colonizadores ocidentais. O meu impulso abstraccionista já aconteceu mais e ainda vem por vezes à tona. Na minha viagem pela costa portuguesa, à boleia em diferentes embarcações, retratei pescadores e paisagens, numa técnica muito expressionista, cujas formas e cores de algumas pinturas e esculturas, passaram para o lado da abstracção. 

 

JP - Fala-me desta viagem que te encontras a fazer na China e que tu disseste só terminar em 2017...

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BG - Esta viagem é a minha volta ao mundo. É um sonho que tenho e que decidi concretizar, Comecei na Ásia por motivos estratégicos: consigo chegar a um

 grande número de países, incluindo a Austrália, por preços mais ajustados ao meu orçamento. A viagem não consiste em andar com uma  mochila às costas e tirar fotos para as redes sociais, para me divertir. Preciso de dinheiro para viver e construir o meu futuro e por isso, encaro a viagem como um trabalho.  Em Portugal ainda é estranho reconhecer a profissão de cronista de viagem. A verdade é que se sou pago para escrever e fotografar e sustento-me com esse dinheiro; então é a minha profissão. Porém, nesta viagem estou a divulgar  o cinantrop (festival de cinema etnográfico de Portugal) para criar pontes entre a China e a nossa região. Uma vez que a China é muito grande e desafiante, decidi dedicar mais tempo a este país. Tenho mostrado documentários  sobre tradições da região de Leiria, em universidades chinesas que ensinam português. Mas estou a percorrer a Ásia para depois, em 2017 chegar ao Panamá de barco e desbravar o continente americano. Visitarei os países que as circunstâncias me proporcionarem. Tenho comigo uma enorme vontade de concretizar este sonho e aproveitar as oportunidades que possam surgir, para criar contactos a fim de mostrar o meu trabalho. Prefiro o peso da mochila ao peso de um sonho não realizado.


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