CHEFEJULINHAWEB

“Júlia! Tem lugar nesta escola. Faça o favor de se juntar aos seus colegas”. E Júlia começou a correr de braços abertos para o grupo dos 12 magníficos. Foi quando muitos cortesenses ficaram colados ao canal público para ver uma cara conhecida. Maria Júlia Rodrigues Adro Matias, de 64 anos, é a chefe de cozinha com mais idade no programa televisivo “Chef’s Academy”, a maior escola de cozinha do país, e é das Cortes.

 

Lembra-se de tudo como se fosse ontem. Estava deitada na cama quando passou na televisão uma publicidade que anunciava a abertura de novas candidaturas à segunda edição do programa. “Como quem não quer a coisa” e “sem nunca pensar que ia lá cair”, ligou. Uma brincadeira que dias mais tarde, ainda no início de Junho, obteve uma resposta que a obrigou a ir a Lisboa para fazer o primeiro casting. Lançou-se à aventura e rumou para a capital sem ter contado a ninguém. Nesse dia foram feitos castings em várias cidades e ao todo eram cerca de 15 mil pessoas a querer participar. “Fiz aquilo tudo, respondi às perguntas todas e aos questionários, despachei-me e vim-me embora, sozinha”, ri-se. Uns dias depois voltou a receber uma chamada para estar presente no segundo casting. “Ai minha rica Nossa Senhora, onde eu me vou meter?”, pensou. Dessa vez foi com o Domingos, o namorado, e na viagem de regresso já calculava que não se ia livrar desta. Como se costuma dizer: à terceira é de vez. E foi mesmo. Voltou a Lisboa para o casting final e já só saiu de lá com o contrato assinado. Das cinquenta pessoas que estavam nas bancadas à frente dos chefes, ela foi uma das escolhidas para fazer parte desta nova turma que teria pela frente, como os chefes avisaram, “um ano TOP”.

Disseram-lhe para ir para casa e avisar a família que quando voltasse das gravações já não seria a mesma coisa: seria uma chefe de cozinha. E assim foi.
As gravações começaram no final de Junho e só terminaram no início de Setembro. Sim, a “Julinha” – como era apelidada por todos os companheiros – já sabe os resultados finais, mas faz jus ao contrato que assinou e continua a manter segredo. Foram cerca de dois meses em que só veio às Cortes ao fim-de-semana e diz ter sido “muito estranho”. “No início foi complicado: estava num hotel, no coração de Lisboa, a partilhar quarto [com a parceira Cátia], a ter uma experiência nova e a estar lá sozinha, só com eles”. Valeu-lhe a produção que sempre a tratou muito bem e lhe explicou tudo, os colegas que estavam a remar para o mesmo lado e de onde retira agora “amizades muito grandes” e a enorme força de viver e querer saber mais.

Foi isso que a levou ali, à caixinha mágica que nos entra todos os dias em casa: a vontade de aprender. É costureira, mas cada vez ter menos paciência para costurar, e admite que nunca gostou muito de cozinhar, até porque tinha pouco tempo. Fazia “as comidas normais, as tradicionais” que a mãe e a sogra faziam mas, agora com mais tempo, tinha vontade de saber mais. Quando lhe pediram uma carta de motivação para entrar no programa disse que queria “aprender cozinha com técnica que era o que não sabia”, e que estava disposta a esforçar-se e a dar o seu melhor para aprender naquela escola que “tinha muito para ensinar” uma vez que ela “queria muito aprender”.

“As gravações eram duras”, começavam cedo para ter a aula de cozinha, faziam uma pequena pausa para almoçar que era invadida por jornalistas de revistas e só voltavam para o hotel depois das sete da tarde. Isto, claro, sempre depois de passar pela maquilhadora e cabeleira, com a dezenas de câmaras apontadas a si, cento e tal pessoas da produção à sua volta, os cinco chefes a fazer pressão e um pequeno espaço pré-definido de onde não podia sair para que ficasse nas filmagens. Não esquecendo as maquilhadoras que estavam sempre a retocar-lhe a maquilhagem com pós e pincéis. “Quase de cinco em cinco minutos lá vinham elas”, porque diziam que “ficava a brilhar”, pois claro, ela era “uma estrelinha brilhante”, respondia a “Julinha” com um sorriso genuíno.

Estar sempre descontraída e não olhar para o prémio final como um objectivo fez com que desfrutasse muito mais dessas semanas. Tanto, que até elogiou a disponibilidade para ajudar que os chefes sempre demonstraram e a simpatia do chefe Cordeiro, o diretor da escola, de quem conhecemos tão bem a “cara de mau”.

Depois dos longos dias fazia questão de acompanhar os colegas durante a noite ou nas folgas. Conheceu Lisboa, a “linda cidade”, adorou “correr a Avenida da Liberdade”, sair para o Bairro Alto, visitar o Mercado da Ribeira e até de ir à discoteca. “Eles nunca me deixavam ficar” diz com cara de malandra sorridente.

As memórias boas que guarda são muitas, mas em especial quando a equipa de filmagens e a Catarina Furtado – com quem não “engraçava nada” antes, mas que afinal é um amor de pessoa – vieram a Leiria para gravar o seu vídeo de apresentação.

Foi “uma experiência que não trocava por nada”, diz, enquanto mostra orgulhosamente o certificado que a escola lhe deu, já emoldurado e pendurado em casa.

Agora faz algumas novidades em casa e até o filho que começa sempre por perguntar “que invenções são estas, mãe?”, acaba por deliciar-se com os novos pratos.

O programa, apesar de já estar gravado, começou a ser transmitido este mês de Outubro e só lhe provoca o riso. “É engraçado” ver-se na televisão e recordar alguns pormenores que esquecido. Apesar de não ser vedeta, como sublinha, as pessoas felicitam-na, abordam-na na rua, escrevem-lhe rasgados elogios nas redes sociais e até lhe pedem autógrafos. Já no café, onde várias pessoas já sabiam da novidade, vai-se comentando domingo após domingo os pratos que elabora, o delicioso aspecto da comida e as peripécias que vão acontecendo, enquanto ela se vai lamentando pelo cabelo apanhado com que tinha de estar sempre, não fosse estar habituada a ter os caracóis soltos.

Decerto que continuaremos todos ligados à RTP1 durante as próximas noites de sábado para ver brilhar esta estrelinha “dona de uma grande força de viver”, como é apresentada pelo programa. Seja qual for o resultado, já é merecedora dos nossos parabéns!


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