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O auditório da Casa-Museu João Soares, nas Cortes, voltou a ser o espaço para mais um Serão Literário das Cortes, desta sobre Olavo Bilac.

 

O tema deste serão foi "Olavo Bilac (1865-1918) – Notas Biobibliográficas e a Lusofonia”, que esteve a cargo de António Nunes que tem estudado o poeta brasileiro ultimamente.

Como epígrafe do anúncio do Serão lia-se: «No que diz respeito à poesia, Bilac permanece, a cem anos de sua morte, o poeta brasileiro mais lido e talvez mesmo o único a ter edições e a receber atenção crítica continuadas dentre os da sua época e escola.»
António Nunes, que projectou uma série de dispositivos a acompanhar a sua exposição, tentou demonstrar isso mesmo, salientando em particular o papel que Bilac desempenhou enquanto defensor/construtor/difusor da língua portuguesa por todo o Brasil, em especial como inspector escolar, mas também como jornalista e escritor, membro fundador da Academia Brasileira de Letras, tendo criado a cadeira 15 da instituição, cujo patrono é Gonçalves Dias.
Olavo Bilac (Rio de Janeiro, 16 de Dezembro de 1865 – 28 de Dezembro de 1918) foi o poeta responsável pela criação da letra do Hino à Bandeira, inicialmente criado para circulação na capital federal da época (o Rio de Janeiro), tendo sido mais tarde adoptado em todo o Brasil.
Segundo Paulo Franchetti, Olavo Bilac «foi, durante muito tempo, sinónimo de “poeta”». «Adorado em vida, venerado no período subsequente à sua morte, o “príncipe dos poetas brasileiros” apenas a partir de meados de novecentos foi sendo deixado de parte.» O mesmo Franchetti escreve: «De modo geral, pode-se compreender a história da literatura brasileira dos anos de 1880, nos quais a propaganda republicana ganhou corpo, até a época do Modernismo, como o período de construção de um público médio e da feliz identificação entre as expectativas desse público e a realização estética que lhe era oferecida pelos escritores mais notáveis. Bilac e seus companheiros parnasianos não apenas criaram, no final do século XIX, um gosto homogéneo e difundido, que persistiria por décadas, mas solidificaram a ideia de que construir uma literatura pautada pelo respeito à norma e pela integração do intelectual na vida política e económica da nação era um dos principais requisitos para construir e manter a própria nacionalidade republicana.»
Além de poeta, Bilac foi também autor de livros para uso escolar: a partir de 1904 fazem sucesso as suas Poesias infantis; e em 1913, junto com Manuel Bomfim, publica uma narrativa para uso nas escolas primárias, intitulada Através do Brasil. A par dessas obras, ao longo do tempo, em colaboração com outros autores, Bilac assina também um volume de Contos Pátrios, um Livro de Leitura, um Livro de Composição, e ainda A Pátria Brasileira e o Teatro Infantil.

O próximo Serão
Ainda sem tema definido, na altura em que redigimos este apontamento, o próximo Serão, irá decorrer, como habitualmente, na Casa-Museu João Soares, no dia 14 de Março, pelas 21h30.


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