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Foi motivo de intervenções muito criativas o tema que, no dia 11 de Julho último, animou os Serões Literários das Cortes: “O Pedro, a pedra e o destino no lago de Tiberíades ou como a minhoca sobreviveu com a ajuda da bicicleta”.

Aparentemente complexo, teve da parte dos participantes uma abordagem notável.
Depois de uma introdução musical de Paulo Costa & Beatriz, Celeste Alves “atirou” a primeira pedra com a projecção de imagens alusivas, terminando com uma frase de Fernando Pessoa: «Pedras no caminho? Guardo todas – um dia vou construir um castelo!»

Luís Vieira da Mota foi-lhe na esteira com um excelente texto que termina assim: «Por isso Passos, não o Manuel, mas o Pedro, não o da pedra, mas o Coelho, anda por aí, doidinho, de toca em toca, na tentativa de desenterrar possíveis pedaços, não da minhoca, que está a salvo no fim da linha por via duma bicicleta, mas dum tal António de Santa Comba Dão, não de vinho, mas de rio, não de Lisboa, nem de Pádua, mas da cadeira, não a de Pedro, em Roma, mas a de lona, no Forte, não a lona, mas o próprio, de São Julião, não o tio, mas o da Barra.»

Foi depois a vez de Zaida Nunes, com uma história de amor de “Pedro e Inês”, secundado por Pedro Jordão e, depois, por Clara Paulo (ausente), esta pela voz de CF, que concluiu assim: «E naquele destino…/ Pedro viu-se como um menino…/ Com um infinito lago no olhar!/ E sem medos de Amar!...»

António Nunes lembrou um “Pedro conhecido”: «O Pedro em delírio deu um pontapé/ Na gramática filosofal/ E esta transmutou-se numa pedra/ Não se cansava de repetir/ Quiséssemos ou não ouvir/ Aldrabices, trafulhices e outras mirambolices.»

Clara Marques constatou: «Pedro olhava para uma enorme pedra que teimava em não sair do seu lugar.» «Mas para ele, o mais importante era imaginar colares de pedrinhas brilhantes para oferecer à garota mais bonita da aldeia. Enfim, era um não mais acabar de atributos às pedras.»

Rita Justino leu um trecho de “A Sabedoria dos Mitos”, de Luc Ferry, e Carlos Fernandes, na mesma linha, evocou o mito famoso: «A pedra sempre teve um significado de múltipla simbologia, desde a pedra/Pedro sobre os quais Cristo afirmou querer erguer a sua igreja, até à incómoda pedra no sapato. Não menos famosa e intrigante é a pedra que dá corpo ao mito de Sísifo.»
Pedro Moniz e Júlia Moniz evocaram o Pedro bíblico. E Carlos Pires, escatologicamente, ironizou sobre todos eles.
Paulo Costa & Beatriz, que pelo meio haviam feito soar as cordas das suas violas, encerraram a sessão com elegância, apesar de, a pedido de alguns, se prenunciar para breve “A pedrada isca-tológica”. Talvez em Setembro.


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