Os Serões Literários das Cortes voltaram a acontecer na Casa-Museu, desta vez no dia 14 de Novembro. O tema da noite, tal como referimos na edição anterior, foi: “E tu, o que fizeste da tua capa?”. De alguma forma fazia-se alusão à lenda de S. Martinho de quem se diz que partilhou a sua capa com um mendigo que passava frio. Mas, no fundo, o que se questionava eram os tempos actuais e a generosidade que vai faltando para tratar os nossos semelhantes com dignidade.
Depois da habitual ronda pelas actividades culturais do mês e da apreciação de alguns livros, Júlia Moniz abriu o debate com um texto seu onde, de forma biográfica, analisou o seu próprio percurso de vida. Zaida Nunes seguiu-se-lhe com um criativo trabalho que desenvolvia os significados da capa e, em especial, a de caxemira. António Nunes, por sua vez, evocou um pesadelo (com capa), e Pedro Moniz leu o seu poema “Vetusta capa”. Fernando Brites, evocando a surpresa de um mimo da filha, no dia do Pai, disse: «A minha capa, não é por ser minha, mas tudo abriga e aconchega. E não a procuro apenas para me abrigar do frio e das intempéries, mas também para me aconchegar, colhendo inspiração para responder aos mimos e afagos daqueles a quem ela acoberta.» Carlos Fernandes, aproveitou a actualidade e falou de refugiados e da capa que é preciso estender-lhes, não só aqui, em gesto de acolhimento, mas lá na sua origem, onde a vida perdeu sentido, mas onde só lá faz sentido. Carlos Pires confessou não ter escrito nada, mas enviou depois para todos um poema com o título “Deus morto numa praia”. Maria Angeles lembrou uma «capa macia, grande e calma», a da nossa mãe. Finalmente, Luís Mota, brincou com os diversos Martinhos, desde o de Tours ao da Arcada, sem esquecer o Hermínio, e perguntou a dado momento: «Se Martinho, de Tours, fosse pessoas como o Fernando foi, é e continua a ser, em quantas partes teria de dividir a capa para se cobrir e cobrir todos?»
Para terminar, o casal Isabel e Luís Mota presenteou os convivas da tertúlia com um licorzinho a que só faltou mesmo a castanha.


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