ROSTOS COM HISTÓRIA

karamba

“Karamba” é o que dirá quando provar um verdadeiro piri-piri, completamente natural, e daqueles que para além de saborosos podem ser verdadeiramente picantes. E é produzido nas Cortes, acredita?
João Carlos Ramos, moçambicano, nascido em 1962, é casado e tem três filhos sul-africanos. Não é natural de nenhum dos lugares da freguesia mas acabou por vir parar cá. Sempre gostou de Portugal e vinha passar cá férias quase todos os anos. Mal sabia ainda que acabaria por ficar a morar por estes lados, na Reixida.

Foi alguns anos mais tarde que, depois de ter sido várias vezes vítima de carjacking e de ter sofrido dois ataques em que teve pistolas apontadas à cabeça, decidiu vir para o país luso. Teve de aprender a falar português e diz que a adaptação levou muito tempo, até porque considera que as mentalidades são ligeiramente diferentes e não estava habituado a este ambiente, com menos espaço e menos liberdade. “A vida lá é mais fácil”, mas preferiu optar pela segurança.

Em África exercia engenharia civil e tinha uma empresa de construção civil. Ao começar uma vida nova enveredou pela mesma área, pelo menos até 2007, ano em que teve um grave acidente de viação que o atirou para uma cadeira de rodas. 

O negócio dos molhos nasceu da intenção de criar alguma coisa que depois pudesse ficar para os filhos. Uma prática que já começou há 30 anos em terras africanas, através dos ensinamentos do pai, mas que servia apenas para consumo próprio. Apercebeu-se que havia à venda uma quinta na Estrada da Ribeira, mesmo em frente às Caves Vidigal, decidiu entregar uma oferta, e ficou com ela. Com o espaço vieram também maçãs, nozes e dois cãezinhos que andam sempre por ali a passear. Construiu depois uma pequena casa de apoio e, para além dos terrenos ao ar livre, fez uma estufa. De realçar que esta é uma quinta adaptada, onde uma pessoa de cadeira de rodas, como o proprietário, consegue andar por todo o lado e fazer quase tudo sozinho.

João considera que este é sem dúvida “um projeto grande” e tem intenção de expandir as instalações e conseguir empregar mais de vinte pessoas no espaço de dois anos. E será certamente possível, uma vez que o negócio ainda é bebé, tem apenas alguns meses, mas já está a levar estes molhos de piri-piri a países estrangeiros como África, Holanda, Inglaterra ou Itália, mas também a zonas portuguesas como o Algarve ou o Porto e, aqui na zona, à restauração que faz uso dos mesmos, como as “3 Marias”.

Têm quarenta espécies de malagueta plantadas naquela quinta, entre elas o piri-piri mais forte do mundo desde 2012 e vários espécies únicas, resultado de cruzamento de plantas, feito pelas abelhas. Sim, porque também têm uma colónia de abelhas para o efeito.

Para já são apenas três os molhos comercializados: um suave, outro intermédio e um mais forte. Sensivelmente daqui a um mês juntar-se-á à lista o “la bomba”, que será ainda mais picante.

João sublinha, para que o leitor se desengane, que estes não são “daqueles molhos que só queimam um pouco no início e depois dão dores de barriga”. São apenas produtos naturais, sem aditivos ou conservantes, que usam várias espécies de malaguetas combinadas e que duram até cinco anos com o frasco fechado. Além disso é um produto afrodisíaco e um antibiótico natural para os intestinos. 

Como é referido na embalagem, este é um produto português, mas é também orgulhosamente parte das Cortes, e levará decerto o nome do lugar mais longe.

Encomendas através de 919 015 126, 244 812 051 ou Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

Leia esta notícia na íntegra na edição número 323 do Jornal das Cortes, de 4 de Outubro de 2014.

 

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