Livros criancas

 “Rainha das Rosas” pode ser lido, ouvido, sentido e cheirado. 

 

“É um livro diferente daqueles de cá”, “para os que não sabem ver nem ler”, “toda a gente o pode ler e toda a gente tem direitos de ler”, “porque foi feito por nós”: são algumas das boas razões apontadas pelos alunos das escolas das Cortes que justificam a importância do livro que fizeram.

“A Rainha das Rosas” é um livro multiformato que conta a história da lenda leiriense em texto aumentado, imagens, braille, imagens em relevo, pictogramas, e até tem um código que redirecciona para a versão audiovisual e o alfabeto da Língua Gestual Portuguesa.

O projecto foi feito ao longo do último ano, com a ajuda de cerca de uma centena de crianças da freguesia. Ao todo estiveram envolvidas 96 crianças, entre os três e os dez anos: 32 crianças dos Jardins de Infância da Reixida e das Cortes e 64 alunos da Escola Básica da Reixida. Deram as ideias para a criação do texto, fizeram desenhos para ilustrar a história, ajudaram a fazer o relevo de algumas imagens e até meteram as mãos à obra para ajudar os pais a organizar e a encadernar os livros.

Uma iniciativa da Associação de Pais que contou com a coordenação do CRID – Centro de Recursos para a Inclusão Digital, do Instituto Politécnico de Leiria e a ajuda de Tânia Bailão Lopes no texto e ilustração.

A ideia partiu de uma mãe e foi agarrada pela Associação de Pais com o objectivo de sensibilizar as crianças para as desigualdades. “Os professores e educadores têm tentado transmitir aos nossos meninos os valores mais correctos, os valores essenciais, e o livro veio ao encontro desse mesmo trabalho”, explica a presidente da Associação de Pais, Andreia Santos.

Célia Sousa, Coordenadora do CRID, considera que este foi “um projecto muito desafiante” por ter trabalhado pela primeira vez com “meninos tão pequeninos e envolver uma comunidade inteira”. Também pela primeira vez juntaram o negro ao braille e apostaram nas imagens simples com relevo para que possam ser vistas por cegos. “Eu acredito sempre muito nos projectos em que me envolvo e por isso penso que sim: vamos fazer a diferença naquela freguesia, no nosso reino da Leiria como eu costumo brincar com os meninos, e eu vou acreditar que aqueles jovens mais tarde ou mais cedo vão cruzar-se comigo na escola dos grandes e vão ter incutidos estes valores do respeito. (…) Claro que são crianças e isto foi a título de brincadeira, mas a título de brincadeira eles conseguiram perceber que estavam a construir alguma coisa para todos os meninos, e isso eu acho que eles nunca mais vão esquecer na vida”.

Margarida Maia, professora da EB1 da Reixida, com limitações físicas, acredita que para as crianças é muito mais fácil entender e lidar com a diferença: “para eles é banal, para eles eu sou normal, é tudo de igual para igual”.

O balanço final de um ano trabalho é muito positivo: “Aos meninos eu penso que acrescenta experiência, sobretudo. Experiência de participar num livro tão especial, mostrar-lhes que realmente há crianças que não tem as mesmas facilidades que eles têm, a mesma facilidade de chegar a uma livraria e escolher um livro, porque não têm”, concluiu Andreia Santos.

Ricardo Poças, coordenador da Escola da Reixida, em representação dos professores confessou ainda: “é bastante gratificante, ao fim de tanto trabalho, ver o resultado da parte material, que é o livro, mas também da parte conceptual, das crianças, e ver a forma como elas encaram a sociedade… é bastante gratificante”.

 

Já à venda

A primeira edição, de mil exemplares, pode ser adquirida através da página de facebook da Associação de Pais das Escolas das Cortes.

 


Leia esta notícia completa na edição em papel do JORNAL DAS CORTES n.º362, de Janeiro de 2017.

 


 

 


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