Eu que pensava que o Sr. Alzheimer só visitava pessoas de uma idade mais avançada. Na minha ingenuidade acabo de descobrir que também alguns dos mais novos gostam da companhia deste senhor.

Digo gostam porque somente quando lhes convém é que pedem a sua proteção para no momento seguinte o usarem para se esquecer que ele existe.

É uma memória seletiva que apenas, e só, é usada quando lhes convém. Não seria grave, não fosse estar a colocar em causa um país, a usar-se, a impor-se de forma descriminada uma parte da população para um objetivo que tem de ser de todos.

Quando nos solicitam sacrifícios no presente para um futuro mais confortável mais esperançoso para todos, esperamos que todos, de uma forma clara, deem o seu contributo. Muito mais quando estamos a falar dos principais responsáveis pelo país.

Mas quando estes não se lembram de ter trabalhado num passado recente para determinadas empresas e ou de terem estado no parlamento em regime de exclusividade, para depois, perante documentos assinados pelo próprio punho, serem obrigados a ter memória que até aí diziam não ter, o caso toma importância.

Além de importante torna-se grave. Grave porque essa ausência de informação e falta de clareza lhes permite obter subsídios que saem do cofre do estado para os seus bolsos, quando para cobrir essas e outras despesas vão aos bolsos de todos nós tirar o pouco que existe para as suas regalias de duvidoso direito.

O nosso primeiro-ministro com a trapalhada da “Tecnoforma”, empresa com quem teria colaborado entre 1995 e 1999, deixa muitas dúvidas em todos nós. Mais grave ainda é que, quando este nos impõe uma das maiores cargas fiscais e nos obriga a todo o tipo de declarações para uma efetiva verdade fiscal, ele próprio não consiga de forma clara e inequívoca mostrar que tem contribuído com as suas obrigações fiscais, nem apresentado as suas declarações de rendimento no parlamento a que estava obrigado por lei.

Quem não se recorda do seu primeiro vencimento, por muito tempo que tenha passado, ou quem não se recorda das empresas para quem trabalhou e se trabalhou de “borla” ou não?

Será que alguém, como o primeiro responsável de um Governo de uma nação, tem a memória tão curta que não se recorde o que fez e como o fez há uma dezena de anos atrás?

Será que podemos confiar num político com uma falta de memória desta natureza que só recupera a memória perante a evidência dos factos?

E já agora, alguém acredita que os políticos que nos governam, agora ou noutros momentos, tenham, na verdade, faltas de memória?

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