Corria do ano 2001, e a paróquia das Cortes saia da situação difícil em que se vira embrenhada desde o ano 1996, com o devastador incêndio que arruinou o edifício e canalizou esforços e verbas durante 15 anos. A coincidir com esse fim de preocupações, era anunciada uma renovação com a nomeação de um jovem padre para presidir aos destinos da paróquia. Com 10 anos de padre, o Pe Rui Acácio Amado Ribeiro, apenas tinha tido contato pastoral/paroquial com os emigrantes, onde estivera nos últimos 3 anos, ao mesmo tempo que tirava um curso de jornalismo.
Por parte da paróquia havia muitas (talvez demasiadas) esperanças, por parte do pároco havia a alegria de finalmente assumir a paroquialidade como desafio que sempre desejara. Apesar de tudo a nomeação parecia incompleta, pois que a paróquia não oferecia condições para que aqui residisse e além do mais o trabalho na paróquia era dividido com a de direção espiritual no Seminário.
Foi assim que nos inícios de Outubro de 2001 o Pe Rui Acácio entrou na nossa paróquia. Seguiram-se desafios e momentos que hoje recorda com saudade e que partilhou connosco. Damos nota de algumas das suas recordações.

 

Catarina: Qual o balanço que faz em relação aos 15 anos que foi pároco da paróquia das Cortes?

Pe. Rui: Quando falamos em balanços nos dias de hoje temos uma mania de quantificar. Nesse sentido passaria agora a apresentar números, falar de obras, gastos e proveitos, fazendo assim uma análise e um balanço que, quanto mais não seja pela evolução natural das coisas, é sempre positivo. Mas creio que o verdadeiro balanço não é quantitativo mas qualitativo. E aí falamos já das vivências, das experiências e dos sentimentos que fomos experimentando ao longo desses 15 anos. E como sabemos este é um campo difícil de traduzir e expressar. Nunca conseguiremos perceber a intensidade dos sentimentos vividos por alguém. Posso, contudo, dizer que o meu balanço neste campo é muito, muito positivo. Conheci pessoas, convivi, rezei, celebrei, também me enervei, chorei e por vezes até evitei, e a intensidade desses encontros e desencontros é tal que obviamente faço deles uma avaliação muito positiva. Aprendi muito com estas vivências. Senti-me em família, gostei, por isso, de estar aqui, onde me senti como em casa. Durante os últimos 15 anos fui, ou procurei ser, um Cortesense.
A última avaliação que posso fazer é rever os objetivos que me foram dados alcançar, quando cheguei, e agora ver se os atingi ou não. Devo dizer que neste caso eles foram atingidos plenamente; aliás, já há alguns anos que foram alcançados. Neste caso, a mudança poderia ter-se dado já há mais tempo.

 

Catarina: O que guarda como lembranças fortes da paróquia?

Pe. Rui: Precisamente, as vivências. Gosto muito de conhecer as pessoas, as suas casas e sentir que faço parte das suas vidas. Uma grande parte do trabalho do padre não se vê, é feito nestes contatos e presenças nos momentos significativos na vida das pessoas. Não tenho dúvidas nenhumas em dizer que é isso que levo. Durante estes 15 anos, nunca estive só com a paróquia das Cortes (acumulei com o Seminário, depois com a prisão, depois com o jornal, depois com a Barreira e depois novamente com a prisão), e isso limitou sempre esses trabalho de encontro e contato com as pessoas. Uma vez visitei uma família à noite, sem termos marcado nada, e como não me esperavam estiveram todo o serão a perguntar o que é que eu queria. E quando vim embora ainda disseram “ e vai-se embora sem dizer o que veio cá fazer”. Pois o que eu lá fui fazer foi só isto: visita-los e passar um serão com eles. Tive muitos destes encontros… levo-os comigo.

 

Catarina: o Pe. Augusto que vem para a paróquia já foi seu professor, tem mais idade (também mais experiência), vem de uma grande paróquia e certamente pretenderia descansar um pouco mais. É isso que vai acontecer?

Pe. Rui: O Pe. Augusto é um bom padre, um excelente amigo e um bom homem. Mesmo que tenha mais idade do que eu, isso não se nota, porque tem um espirito jovem, que adquiriu precisamente nos muitos anos em que trabalhou com os jovens. E claro tem mais experiência, menos vícios e vem com entusiasmo. Penso que é uma mais-valia para a paróquia e creio que a paróquia vai ficar muito bem servida.

 

Catarina: Que desafios terá o novo pároco?

Pe. Rui: Muitos, a vida nunca para. Mas creio que o maior desafio para o novo pároco é de ordem espiritual. A paróquia está munida das infra-estruturas necessárias, não precisa mais preocupar-se com obras, exceto o que faz parte da manutenção. Mas a paróquia precisa de organizar os serviços pastorais, renovar as pessoas e tratar dos aspetos litúrgicos. Esse é um dos muitos pontos fracos que tenho e sei o que precisa ser trabalhado: a liturgia. Claro que outras coisas há que são necessárias, mas essas falarei diretamente com o Pe Augusto.

 

Catarina: Uma última palavra ?

Pe. Rui: Um sincero e profundo agradecimento por estes anos. A todos, os que gostaram de mim e os que não gostaram, a todos quero agradecer de coração cheio. Bem-hajam!

 


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