No dia 14 de Maio de 2017 faleceu em Leiria, com 82 anos, o escultor Fernando Marques, que residia na Abadia.

 

 

Se bem se recordam os leitores, o Jornal das Cortes, na sua edição n.º 130, de 7-Set-1998, p. 10, traçou o seu perfil, pelo que não vamos repetir exaustivamente o que então escrevemos, mas resumir e acrescentar algumas notas biográficas relativas aos seus últimos 20 anos.

Embora nascido em Leiria, em 30 de Outubro de 1934, numa residência perto do castelo, de mãe e avô paterno da Abadia, foi baptizado nas Cortes, e na Abadia viveu até fazer a 1.ª classe na Escola Primária das Cortes. Depois, já crescido, abalou para longes terras, fez de Angola o seu novo paradeiro, cantou, esculpiu, topografou, pintou, fez rádio, casou, afilhou e... em 1975 voltou à Abadia. Ainda tentou a cidade de Leiria, mas 1998 é o ano do retorno definitivo: ergueu casa na Abadia e fechou o ciclo. Foi para ficar. Chamava-se Fernando Alves Pereira Marques e era casado desde os 26 anos com D. Carlota Amélia Abano de Sampaio Nunes Marques de quem teve três filhos: Francisco Luís, Paula Maria e Rafael Alexandre.

Não obstante o seu talento com os óleos e com as aguarelas, foi na escultura que obteve mais notoriedade. A cidade de Leiria, em particular, guarda deste artista uma boa série de trabalhos: Luís de Camões (no jardim), o Monumento ao Emigrante, D. Dinis (a Porto Moniz), a estátua de S. Francisco (jardim da igreja da Portela), o Monumento aos Combatentes (Av. 25 de Abril, na base do castelo), o busto do Sr. Filinto (na MAP) e um relevo no edifício da PSP, sem esquecer o galardão da Câmara local; nas Cortes e na Abadia, o busto de João Lopes Soares é também da sua autoria, bem como os vitrais da igreja da Sra. da Gaiola, para além da nova imagem da Senhora do Monte, um relevo e um vitral na habitação de José Bento (Cortes), um painel de azulejos no Chafariz das Cortes e um outro para a Farmácia Castela. Em Ourém fez o Monumento ao seu povo e a estátua de Nuno Álvares Pereira (junto do castelo); Tomar também tem Nuno Álvares; a Caranguejeira tem um relevo no seu Centro Cultural; a Mata dos Milagres tem um Cristo na sua igreja; para o seminário da Torre da Aguilha fez um relevo; e um Monumento ao Emigrante na Memória; e dois, em Peniche, um ao Bispo D. António Viçoso e outro às Rendilheiras, este em mármore; criou os vitrais para a igreja de Peras Ruivas (Ourém); na Cova da Iria, uma estação da Via Sacra e, na Rotunda Sul, é notável o Monumento aos Pastorinhos. Em Santarém, também é imponente uma escultura de S. Francisco. Produziu ainda muitas dezenas de trabalhos para instituições particulares.

Em 1982 faz a sua primeira exposição individual em Leiria, na Galeria Capitel. Aguarelas deslumbrantes. 1994 é o ano em que, durante o SAAL/94, expõe nas Cortes, de parceria com o seu filho, Francisco. Em grande! Imperceptivelmente os motivos das Cortes começam a aflorar nos seus quadros. A sua última exposição, de carácter retrospectivo, foi na galeria da Biblioteca Afonso Lopes Vieira, em Leiria, entre 7 e 31 de Maio de 2016.
Vinha padecendo de doença complicada de há uns anos para cá, o que muito o fragilizou. Mas nunca desistiu e trabalhou sempre, sem parar, deixando todas as obras prontas. Contudo, a sua debilidade foi causa de outras complicações a que não resistiu. O seu funeral foi no dia 15 de Maio. Esfuma-se o seu corpo, mas fica a memória de um homem amável, generoso, criativo, lutador e, sobretudo, de um artista cuja obra o evocará de forma imorredoura.
O Jornal das Cortes lamenta a sua perda e apresenta as suas condolências à família. 


21314802_1563076773731693_8977758524397739074_n.jpg

A edição em linha do Jornal das Cortes é actualizada a partir do dia 15 de cada mês.

 

Assine já o Jornal das Cortes ao clicar AQUI!

NÃO FALTE!

Sem imagens

Agenda de eventos

November 2017
Seg. Ter. Qua. Qui. Sex. Sáb. Dom.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
medicortesweb.jpg