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O professor José Casimiro faleceu no dia 13 de Março de 2018. José Casimiro Ferreira Antunes nasceu na Sé Nova, em Coimbra, em 27 de Setembro de 1941, e veio para Leiria com 10 anos.

Casou com D. Maria Antónia Bento dos Santos Antunes e foi professor na Escola Primária das Cortes, desde 1967/68 até se aposentar.

Na edição n.º 79 do nosso jornal, de 6 de Junho de 1994, publicámos o perfil biográfico do professor José Casimiro tendo como pretexto o seu alegado gosto pelo coleccionismo. É esse perfil que em parte agora retomamos para assinalar o seu passamento: faleceu no dia 12 de março de 2018, com 76 anos já feitos. No dia 14, teve missa de corpo presente na igreja das Cortes, concelebrada pelos padres Augusto Gonçalves, pároco das Cortes e da Barreira, e António Faria, ex-pároco daqui e actual pároco do Arrabal. O corpo seguiu depois para as Colmeias onde foi sepultado no cemitério local.
José Casimiro Ferreira Antunes nasceu na freguesia da Sé Nova, em Coimbra, em 27 de Setembro de 1941, e veio para Leiria com 10 anos. Cursou depois a antiga Escola Comercial de Leiria onde tirou o Curso Comercial e a Secção Comercial para o Instituto Comercial. Conseguiu assim a equivalência do antigo 5.º ano para o acesso à Escola do Magistério Primário, em 1959, de que foi um dos alunos do primeiro curso. Terminou em 1961 e iniciou as suas aulas na Escola Primária do Telheiro.
Fez depois o Serviço Militar de 1962 a 1966, com dois anos na frente de combate, em Angola; casou pelo meio, em 1964, com D. Maria Antónia Bento dos Santos Antunes; e veio para a Escola Primária das Cortes em 1967/68, aqui passando a residir. Os dois filhos, Zé Tó e Luís, nasceram-lhe nas Cortes, onde vivia, na casa que fora de Marques da Cruz, paredes meias com a ex-Adega Cooperativa. Continuou a ser professor da Escola das Cortes, juntamente com a esposa, até se aposentarem. Em determinada altura passou a viver nos Lourais, numa casa novinha, de cuja varanda dominava o Vale do Lis e de onde se inspirava para algumas crónicas, designadamente muitas das que publicou no “Jornal das Cortes”. Era um exímio cantor de fados (à maneira de Coimbra) e, por esses dotes, muito apreciado na região e fora dela. Conhecíamos-lhe o gosto pelas colecções e tivéramos mesmo já oportunidade de apreciar a sua vasta colecção de moedas. Coleccionava também caixas e carteiras de fósforos, esferográficas e livros. Quando quisemos falar com ele a este propósito, por telefone, disse-nos que não, que já não coleccionava. Mas, depois, lembrou-se de escrever uma carta sobre o assunto. Uma carta que, no fundo, é uma reflexão sobre o coleccionismo e a atitude de coleccionar. Dessa carta, respigamos agora dois parágrafos. O primeiro diz-nos do seu mister de professor:
«Por defeito profissional, melhor, por característica profissional, a minha atitude é a de saber coisas sobre muitos assuntos. O Professor do Ensino Primário (agora diz-se do Ensino Básico) é um “especialista” em generalidades, com conhecimentos de base sobre imensas coisas, sempre com a preocupação de ter na mão a resposta para a avidez de respostas que a criança procura. Cada vez mais me tenho preocupado em ser Professor, não só o que sabe “ensinar a dividir por dois algarismos”, mas o que tem a resposta para perguntas de algibeira, como quando uma criança pergunta de repente “por que chamam Revolução dos Cravos ao 25 de Abril?”. Ter a resposta verdadeira, estar preparado para ela, é uma preocupação de qualquer Professor de crianças curiosas, munidas daquela curiosidade que vai fazer delas verdadeiros cidadãos, coleccionadores, cientistas.»
O segundo fala-nos de um coleccionador especial:
«Não sou um coleccionador. E, daí, talvez seja. Colecciono experiências, colecciono assuntos, algumas ideias sobre a vida, mas, mesmo assim, não passo de um ajuntador, pois não tenho prateleiras onde arrumar amigos e conhecidos, bandeiras e cores, clubes e partidos, não tenho senão um conceito de classificação que cada vez mais me agrada seguir: convivo com as pessoas que me agradam e discretamente ponho em segundo plano (embora isso seja raro) alguém cuja companhia possa não ter grande significado para mim.»
Era esta a fibra do professor José Casimiro que, durante toda a sua vida, mas em especial depois de aposentado, se desdobrava em múltiplas actividades, que não apenas o coleccionismo, aliás de significado diminuto. Vamos citar algumas, com a consciência de que enumeramos apenas “algumas”, talvez aquelas em que tinha maior visibilidade.
Assim, ainda na juventude, foi cantor do Orfeão de Leiria. E o gosto pela música haveria de permanecer, designadamente quando foi, também com a esposa (e connosco!), cantor do Coro e Orquestra Filarmónica das Cortes no final dos anos 70 do século XX, quando este brilhante grupo foi esteio para o ressurgimento da Filarmónica das Cortes que se manteve inabalável até agora. Já fizera também parte dos quadros directivos da Filarmónica. Em todo o caso, a sua afirmação musical, como referimos atrás, foi através do fado, que cantava com paixão e agrado de todos.
Para além de cronista do “Jornal das Cortes” durante muito tempo, foi (com Ambrósio Ferreira) revisor de texto do semanário “O Mensageiro”, nos cerca de 10 últimos anos daquele jornal.
Integrando, ou não, os corpos dirigentes do Centro Popular de Cultura e Recreio das Cortes, foi também um activo colaborador da colectividade, em diversos domínios, do lúdico ao cultural e até “desportivo”. José Casimiro andou, com muitos outros, de enxada na mão a escavar terra para se construir o Parque de Jogos Joaquim Luciano, em Famalicão. E, ultimamente, era assíduo colaborador da Paróquia das Cortes, em especial nas iniciativas de índole cultural das Festas das Colheitas.
São apenas algumas, sublinhamos. Mas é indiscutível que o que ficou dele com mais significado e consequências foi o seu trabalho como professor: muitas gerações da nossa terra tiveram nele o obreiro paciente dos alicerces das suas vidas. Que a sua memória continue a iluminar os que nele beberam o conhecimento e mesmo aqueles que com ele partilharam a alegria de viver. Ele foi ali e já vem.
Carlos Fernandes


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