Em Manaus, na zona do Amazonas, por ser uma zona muito degradada, de gente em situação socio-económica muito baixa, sem disciplina e sem qualquer segurança, a solução encontrada foi militarizar a escola, entregando a direção a um coronel das polícias, assessorado por militares. Implantaram na escola uma disciplina militar: fardaram os alunos, o acesso às aulas é feito em formatura e valorizam muito os alunos que se portam bem. Este regime terá sido iniciado em 2013 e hoje, segundo testemunhos, a maioria dos alunos tenta cumprir as regras e sente-se mais confiante em relação ao futuro. Os pais estão felizes e todo o bairro se tornou mais agradável, mais limpo e mais seguro. Na mesma zona já há mais três escolas a seguir este exemplo, de acordo com alguns sites.
Lecionei muitos anos no regime de programas imutáveis e rigorosamente iguais para todas as escolas, para todo o país. As escolas, nessa altura, «não tinham alma», usavam todos os chamados “livros únicos” que uniformizavam o ensino, tirando aos professores a liberdade e a iniciativa próprias, tão necessárias, em função das caraterísticas pessoais de cada aluno, ou da influência do meio que envolve cada escola. Por outro lado a escola era o sítio, nalguns casos o único, onde o aluno colhia os “conhecimentos” para além da aprendizagem natural que cada criança ia adquirindo nas vivências do seu dia-a-dia.
Hoje esta escola já não faria qualquer sentido. Embora os sucessivos ministérios da educação revelem ainda algumas dificuldades em entender isto. As escolas só fazem sentido se conhecerem bem as dinâmicas das populações e das famílias que lhes confiam os seus filhos e se adaptarem os seus programas e projetos educativos às necessidades dos alunos. A escola tem que gozar de autonomia suficiente para se poder adaptar às necessidades da população que serve, pois só assim consegue ser um fator do desenvolvimento futuro na sua região.
Um exemplo concreto disto é a dinâmica da escolha de cursos e de currículos escolares do Instituto Politécnico de Leiria, consoante os interesses e as necessidades da Região.