Decorria uma campanha eleitoral para as autarquias, quando numa sessão de esclarecimento partidário realizada na Quinta da Cerca, questionámos o presidente da junta de freguesia - nessa altura também ele próprio candidato a uma reeleição - que diligências tinham sido feitas junto da Câmara para ser substituído o telhado desse edifício que já estava bastante deteriorado. A resposta de um dos seus parceiros de equipa foi pronta “a Câmara tinha mandado fazer uma vistoria e estava tudo bem”. Uma maneira muito clássica de tapar o sol com a peneira, porque era visível que essa cobertura estava no limite das suas funções, com o madeiramento demasiado fragilizado que já não suportava o peso da telha, nem reunia as condições mínimas necessárias para qualquer técnico de construção civil se arriscar a garantir uma segurança que não existia.

Entretanto os anos foram passando e a vida no interior desse prédio felizmente não parou. A Filarmónica continuou a usar esse edifício como sede e casa de ensaios, o Centro Recreativo remodelou as suas instalações que foi um trabalho arrojado e digno de admiração, o café “Mestre Cordeiro” é uma mais-valia também para o local, e em toda esta conjuntura dinamizadora o que de facto tem tardado é um telhado novo com uma manutenção cuidada. Uma responsabilidade primária das identidades detentoras desse património de utilidade pública.

Porém, o estado de degradação a que chegou este imóvel é, para nós Cortesenses, um sinal muito claro que nos diz que há carências nas nossas aldeias, que sem um envolvimento dos cidadãos na resolução desses problemas e na preservação dos seus valores colectivos não existe Câmara nenhuma ou Junta de Freguesia que só por si tenha a iniciativa ou o cuidado de resolver todos os problemas estruturais, se não tiver como parceiros em cada projecto a ajuda e o empenho das populações.

Foi certamente conscientes com esta realidade, que levou os nossos antepassados em 1878 a adoptar um espirito de iniciativa construtiva, quando fundaram a nossa Filarmónica que tem enriquecido culturalmente a nossa juventude. Um exemplo seguido depois por dois homens, quando em 1987 deram início ao Jornal das Cortes, que nos seus 27 anos de vida, tem pontuado na defesa dos nossos valores históricos, sociais e culturais.

Animou também um grupo de cidadãos para pedir a criação da Casa-Museu Dr. João Soares, que tem desenvolvido uma obra pedagógica com um valor notável. Despertou e mobilizou um movimento de solidariedade humana que, unida na mesma fé, conseguiu num tempo recorde mandar reconstruir o altar- mor da igreja destruído pelo incêndio de 1996. Seguiu-se a ASSISTE que tem melhorado a qualidade de vida da nossa população sénior. O jardim infantil instalado na escola de Famalicão, e cuja qualidade de serviços está actualmente entre os melhores em todo o concelho de Leiria. Temos várias associações culturais bastante dinâmicas, e o mercado domingueiro que veio preencher uma lacuna que há muito tempo existia na nossa freguesia.

Contudo, toda esta vasta e gigantesca obra era impossível de construir e conservar, sem a ajuda persistente de um grupo de cidadãos, que sem esperarem recompensa alguma, durante as suas vidas tem gasto horas, dias e anos a trabalhar discretamente em prol do bem-estar colectivo. Uma acção exemplar de cidadania que nos impele a todos nós para dar sempre mais um passo em frente, como sinal de gratidão pela sua persistência. Que é o melhor guião para cimentar a coerência Cortesense em redor dos mesmos projectos e ideais que devem falar sempre mais alto em defesa dos valores e interesses supremos da nossa terra


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