No passado dia 16 de Janeiro a vigararia de Leiria realizou em encontro ou assembleia com a presença de D. António Marto. Foi ainda convidado como orador principal, o Doutor Ricardo Vieira que dissertou sobre o tema genérico “Família, escola de Valores de cidadania”. A sua exposição, feita de forma familiar e coloquial, despertou a atenção e a curiosidade de todos pela simplicidade com que evocou alguns dos valores que se vão esquecendo e de que a família deveria ser o primeiro pedagogo.

Entre os muitos valores aflorados, despertou a minha atenção o do silêncio. Para a maioria de nós o silencio nem é mesmo um valor e é antes entendido como um contra valor, um defeito. Mas quem assim pensa ainda não entendeu o que é o silêncio.

Dizia o Doutor Ricardo que “precisamos ensinar aos mais novos o valor do silêncio, que se vive sabendo estar calado quando deve estar e falar quando se deve”.

O silêncio é a bitola que nos ajuda a medir a exata proporção dos tempos, dando a cada um a sua essência exata. Sim, referia o doutor Ricardo, como numa música, os sons seguem-se em harmonia cada um com o seu tempo devido e depois há os momentos de silêncio. E a melodia no seu conjunto estraga-se quando alguém por ousadia preenche os tempos de silêncio com um som qualquer que acaba sempre por ser estranho e estragar o conjunto.

Na família este é um dos valores que vai sendo esquecido; dialogamos pouco, mas preenchemos o tempo que nos sobra com sons e ruídos infindáveis. Desde a televisão ao DVD, passando pelo CD ou MP3.. tudo serve para preencher aqueles espaços que estavam ali para simplesmente estarmos em silêncio e ouvirmos outros sons que os instrumentos do engenho humano não capta mas que estão aí.

O silêncio como espaço de infindáveis e sonoros ruídos e vozes que se fazem ouvir através dos ouvidos interiores e não os exteriores; o silêncio que os surdos conhecem e que por isso mesmo acabam sempre dotados de uma outra visão da vida, do mundo e dos outros. O silêncio, no qual a voz de Deus se faz ouvir como um trovão e incomoda os distraídos.

É este silencio que se faz sentir quando se calam as vozes e as gritarias do dia a dia que precisamos redescobrir. E nas famílias, como primeiro espaço de crescimento, ele precisa ser redescoberto.

Deste tempo ao silêncio e deixemos que seja ele a fazer ouvir a sua voz.


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