A desertificação nas Cortes parece irreversível, com uma população cada vez mais envelhecida e incapaz de criar atratividade para a retenção de jovens, a falta de oferta habitacional para novos habitantes é visível e já não se pode ignorar.


As nossas escolas são o primeiro e o resultado mais visível desta ausência de atratividade. Cada vez mais vazias, não só pela baixa natalidade mas também pelas alternativas que são oferecidas pelos centros escolares fora da freguesia, contribuem desde muito cedo para uma desculturação dos mais jovens e uma ausência de laços e referências da sua própria terra.
A falta de condições para o aparecimento de novas construções, motivado em parte por um PDM restritivo, a dificuldade de encontrar terrenos disponíveis para a construção por quem quer construir e a inexistência de alternativas de arrendamento, pode estar na base de um dos maiores fatores que empurram os nossos jovens para fora das Cortes e dificultam a fixação de novas gentes.
Na verdade as Cortes parece ter todas as condições para ser desejada como local para se habitar. Próxima da cidade, com bons acessos e transportes, uma natureza rica e diversificada, montanha e rio, sem indústrias poluidoras, ou seja em tudo convidativa a um ambiente de vida saudável.
Um PDM restritivo, com uma filosofia de concentração e proteção da natureza, por vezes não se compreendendo os critérios que estão na sua base, o facto de não haver uma “bolsa” de terrenos disponíveis para venda onde fosse possível a aquisição de terrenos para a habitação e ou a construção para arrendamento, aliada a uma grande dificuldade em conseguir a aquisição de velhas habitações, cuja degradação é evidente, para recuperação, o que certamente além de fixar população ajudaria a preservar a cultura das nossas aldeias, podem ser os maiores fatores que contribuem para a não fixação dos nossos jovens e outros que desejariam viver nas Cortes.
Os sintomas estão a ser cada vez mais visíveis. As tradições vão sendo esquecidas, as coletividades vão tendo cada vez mais dificuldades em se renovar e manter, as escolas vão perdendo população, sendo o seu encerramento previsível, a sede da junta de freguesia está a desaparecer e o posto médico poderá ser o seguinte a deixar as Cortes.
É tempo de se apelar à sensibilidade e responsabilidade das diversas entidades das Cortes, para em conjunto, iniciarem uma discussão pública, construtiva, com o objetivo de se encontrarem ações com o objetivo de se inverter este silencioso desertificar e perda de referências, porque há tempo e certamente vontade para tal.


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