Numa futura revisão constitucional deviam ser acrescentados à nossa Constituição mais dois artigos. Primeiro, era a criação de um Senado ou Câmara alta do parlamento, com a missão de avaliar periodicamente o desempenho de funções do chefe de Governo e filtrar toda a legislação susceptível de favorecer grupos económicos e ideologias políticas e partidárias, em detrimento dos interesses da nação. Segundo, devia ser exigido a cada aspirante ao cargo de Primeiro-ministro um estágio laboral, com a duração mínima de um ano no seio das comunidades de emigrantes, para ter um conhecimento do mundo lusófono e usar essa experiência para evitar a tragédia humana da emigração forçada de milhares de compatriotas que, vítimas da forma desastrosa como a economia nacional tem sido conduzida, procuraram trabalho noutros países comunitários em condições nem sempre aceitáveis, em muitos casos uma vergonha, não só para os nossos governantes e sindicalistas nacionais, como também para o sindicalismo comunitário que tem dormido muito confortavelmente, numa Europa de cidadania e dos cidadãos.

Porém, a enfermidade da democracia portuguesa, não está só baseada apenas nesta lacuna de requisitos institucionais e humanos, mas também na falta de ética. Onde tem imperado uma auréola de facilitismos e oportunismos que em nada têm dignificado as instituições democráticas. Por conseguinte, ouvimos expressões tais como “o país está melhor hoje que em 2011”, ou o anúncio de um “plano abstracto para o regresso dos emigrantes”, ou até “a economia vai crescer 2% em 2015”, (uma fartura comparada com a Irlanda que cresceu mais de 4% em 2014).

Os nossos políticos deviam ser mais realistas e não embarcar na demagogia de uma política do “limpa bolso” aos contribuintes, nem ignorar o património público que foi vendido. Ou esquecer o esforço de muitos empresários honestos que, confrontados com uma globalização desleal, têm dado o seu melhor para minimizar os efeitos de uma gestão política ruinosa e insensível, para com todos aqueles que são atirados para a rua, sem possibilidades de suportar um custo de vida tabelado apenas para ricos. E ter em conta também todos os chefes de família desempregados, cujos postos de trabalho fugiram para enriquecer as economias Asiáticas, os jovens que precisam de trabalho e não têm, as crianças que chegam à escola com fome, etc. etc.!

Com um cenário destes, é óbvio que o país não está melhor, a democracia está doente, as populações tem sido açoitadas com uma permanente chicotada psicológica vergonhosa, que as tem conduzido a um negativismo depressivo inaceitável. As eleições que se aproximam são a oportunidade mais eficiente dos eleitores poderem dizer “ Chega! Basta! Queremos um Portugal diferente para nós hoje, e para os nossos filhos amanhã, queremos governantes que falem para o povo, escutem o povo, respeitem o povo sem fugirem por portas traseiras. Queremos reaver o espírito e os valores de Abril!”.


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