O calendário católico está marcado pela centralidade da festa da Páscoa. A palavra significa “passagem” e a celebração anuncia aquela que é a afirmação genuinamente cristã. Na Páscoa celebramos o grande e único acontecimento que é a passagem da morte à vida, realizada de uma só vez na pessoa de Jesus Cristo, mas que é prefiguração das muitas passagens que todos nós realizamos na nossa vida.

De facto, a grande mensagem do cristianismo centra-se na afirmação e no anúncio da vida que se estende para lá da morte. Morte que todos os dias experimentamos nos acontecimentos do quotidiano. Não se trata de uma passagem miraculosa, mas de uma afirmação vivencial. Ou seja, o anúncio cristão centra-se na afirmação de que somos chamados a uma ultrapassagem contínua dos nossos limites. Passar da tristeza para a alegria, do sofrimento para a sanidade, da solidão para o convívio, do egoísmo para a partilha, do pecado para o perdão. A fé cristã pode efetivamente resumir-se nesta perspetiva otimista com que os crentes vivem cada acontecimento e cada momento do seu dia-a-dia.

Razões históricas explicam o facto de termos reduzido a fé a uma religião morta e por vezes até castradora. Quando na realidade a fé cristã se traduzia e traduz por uma vitalidade renovada e um olhar sempre otimista. A grande novidade dos cristãos está aí, na afirmação da positividade diante da negatividade com que diariamente nos deparamos. Uma positividade que não é uma sublimação, mas uma convicção traduzida em gestos concretos. Por isso, os cristãos vivem e anunciam a esperança, ou, nas palavras de João Paulo II, os cristãos anunciam um Evangelho de vida numa cultura impregnada de morte.

Estamos talvez ainda longe de perceber e entender este mistério. E, enquanto não o percebemos na sua totalidade vamos continuando de forma ritualista a celebra-lo, por vezes sem o entender. Mas está mais que na hora de dar o salto. Precisamos perceber a grande novidade e originalidade que preenche e fundamenta a nossa fé. É preciso e é urgente que todos e cada um se disponha a sair do seu casulo de morte para se lançar num voo libertador e regenerador. Efetivamente, a borboleta que ensaia os seus voos neste início de primavera é o melhor símbolo da fé que nos anima.

Que ninguém fique parado, acabrunhado, desanimado, frustrado ou abatido. A fé que celebramos é a afirmação da convicção que temos e que S. Paulo traduziu na sua carta aos Romanos: “estou certo de que nem a morte nem a vida, nem coisa alguma, me pode separar do amor de Deus, manifestado em Cristo Jesus”.

Uma Santa Páscoa.


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