Com a alma cansada, com uma esperança resiliente, vamos comemorando Abril, nós que conhecemos o que representou e que procuramos passar às novas gerações a razão deste momento.

Nós sentimos o porquê. Mas explicar esse sentimento sem a vivência do contrário torna-se uma missão quase impossível, a não ser que nos tempos atuais voltem a existir fatores para os quais esperámos que com Abril não voltassem a acontecer.
Alguns desses tempos estão a querer voltar e por vezes até parecem bem-vindos, pelas expressões dos responsáveis que nos rodeiam e dirigem, numa capitulação aos valores que herdaram e dos quais tem a obrigação de ser os garantes.

Antes de Abril, a falta de perspetiva de um amanhã melhor levou a que os nossos pais procurassem alternativas nos países mais próximos ou nos que mais longe estavam, a oportunidade de poderem dar aos seus as condições necessárias para poderem olhar um futuro com mais esperança.

Hoje, depois de retornarem de uma vida longe da família, sem poderem estar presentes no crescimento dos filhos, estão a vê-los partir, já formados, à procura de criar o seu sonho de um amanhã melhor.

Diferente, mas numa repetição que nos faz lembrar um passado para o qual lutámos para que não existisse, mas que afinal existe.

Uma das conquistas de Abril é a liberdade. A liberdade de falarmos, de expormos as nossas ideias. A liberdade de sermos úteis para o bem comum. A liberdade de podermos trabalhar para o nosso futuro e de contribuir para um amanhã melhor. A liberdade de sermos todos tratados com os mesmos direitos, independente do género, da cor, da religião ou das convicções poliíticas.

Passados mais de quarenta anos, a nossa liberdade é mais aparente do que real.

Os novos sistemas de comunicação que nos interligam tornam o nosso contato mais fácil, mas expõem a nossa vida, mesmo os momentos e as coisas que deveriam ser só nossas. A nossa liberdade é apenas consentida e, muitas das vezes, sem querermos, explorada para melhor nos conhecerem, para melhor nos influenciarem. Se antes éramos usados por não podermos comunicar, agora somos usados pela comunicação que fazemos.

Abril sempre! Sim, porque sem Abril não poderíamos estar aqui a escrever. Sem Abril não poderíamos ter a liberdade que temos. É importante sabermos viver e respeitar Abril.


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