No passado dia 13 de Maio começou a vigorar em território português o novo acordo ortográfico. Este acontecimento, em circunstâncias normais, podia ser um dia festivo para todos os países lusófonos, com Portugal a dar o exemplo de um país consciente e orgulhoso dos seus valores linguísticos. Porém, este acto, acabou por ser apenas a introdução isolada de um acordo ou “desacordo ortográfico”, com uma grafia modificada sem nexo, que pecou por falta de uma reflexão mais profunda. Num contexto de diálogo mais alargado, onde todas as opiniões, mesmo as divergentes, eram uma ferramenta preciosa para ajudar a limar arestas e fortificar a união linguística, que devia prevalecer sempre acima de todas as diferenças fonéticas e culturais de qualquer país de expressão portuguesa.
A língua portuguesa tem uma matriz específica que Portugal tem a obrigação e o dever de defender. Contudo, este acordo ortográfico de 1990, onde a fonética

se sobrepôs à grafia, ficou com todos os ingredientes necessários para não servir para ninguém, porque ignorou uma linha básica de princípios, um factor que tem sido contestado pela maioria dos intelectuais que notaram neste trabalho uma pobreza linguística estrutural. Não serve para Portugal nem para o Brasil e muito menos para Angola, Moçambique e Timor-Leste, que na altura da elaboração deste projecto Luso-Brasileiro, enfrentavam problemas internos muito graves que não lhe permitiam ter a serenidade necessária para debater uma matéria desta importância. E nem serve para qualquer outro país da CPLP, onde as alterações introduzidas, deixaram estes países mais distantes das principais línguas Europeias. Todavia, Portugal, como um bom atleta, correu uma maratona em contra-relógio e chegou à meta em primeiro lugar, sozinho e isolado, sem honra nem glória, porque não é por abdicarmos das nossas obrigações que somos mais admirados. No fim de todo este trocadilho, a língua portuguesa ficou substancialmente mais pobre.