Com a chegada dos dias mais quentes, todo o ambiente se transforma. Abrem-se as janelas nas nossas casas e a luz radiante do sol, agora desde mais cedo até mais tarde, traz um tom de festa e de descontração às nossas vidas. Mesmo para quem goste de estar só, estes dias parecem trazer consigo um condão que os arrasta para sair de casa, encontrar os amigos e conviver.

Por essa razão, também, as festas religiosas, erradamente chamadas “festas populares”, enchem as ruas, e preenchem os fins-
-de-semana, tornando-os muitas vezes mais agitados que a própria semana, quando deveriam ser momento de descontração e intimidade. Efetivamente o ritmo da vida dos nossos dias é de tal modo agitado, stressante e galopante, que exige cada vez mais momentos de descontração, paragem e até reflexão. Os dias de verão, proporcionam-se a isso mesmo.

Mas a vida moderna preencheu esse espaço que era nosso, preenchendo-o com mil ocupações, atividades de todo o género, que cada vez mais nos isolam, cansam e afadigam. Mesmo as referidas festas religiosas, viraram espetáculo de variedades (ou vaidades) e vão perdendo aquele condão que lhes estava na origem: o convívio sereno e ameno, o encontro, a sã amizade, a celebração comunitária e a serena paz de quem regressa a casa no fim do dia com a consciência tranquila e as forças recuperadas para uma nova semana de trabalho.

Onde está esta paz e serenidade de outros tempos? Onde puderemos nós reencontrar a alegria interior de quem se sente amado e por isso mesmo arde em desejos de amar? Em que praia deserta se terá escondido essa vida tranquila? Quem passa por Cascais e toda a orla marítima que a circunda, pensará certamente que um dia de praia por aqueles sítios será certamente um dia de total confusão, total agitação e total nervosismo. Não seria o dia de praia para encontrar precisamente os valores contrários?

Os dias de verão que aí veem deveriam servir até para pensar no que efetivamente estamos a fazer dos dias de verão. E o tempo de férias, no seu todo, cada vez mais cheio, mais repleto e mais agitado que os dias de trabalho. Mudam-se os tempos, e à força queremos mudar as vontades. Mas será que assim seremos mais felizes?...