Em minha casa reina uma espécie de tradição. Todos os sábados, a minha mãe e a minha prima vão beber café às Cortes. Como é óbvio não referirei o local onde "cafezam", primeiro porque não estou aqui para fazer publicidade (não pago para isso… nem sequer sou pago…), segundo o Mestre Cordeiro não precisa da minha publicidade, e terceiro… porque não me apetece!

A tal tradição tem dois momentos. O do café como disse há pouco, mas também, e não posso descurar a importância deste, o momento "raspadinha". Se tiver sorte a minha mãe ganha uma bela máquina e a minha herança pode crescer de alguns dígitos. Mas se tiver azar, como quase sempre, é reduzida a cada euro despendido na procura da sorte.

Já cheguei a acompanha-
-las, e sou quase sempre contra a compra de raspadinhas, pelos motivos indicados atrás. Sempre que a minha mãe me pede para comprar uma, vou contra vontade. E, curiosamente, nessas vezes ganha quase sempre, mas nunca nada de significativo.

O pior é que nos momentos vitoriosos, sou o que podemos chamar de calculista, ou melhor, de desmancha-prazeres. Confesso que gosto de estragar aquela felicidade momentânea que existe na hora de receber o prémio das raspadinhas. Quando me dizem: "Que bom ganhei 5 euros!", eu digo com um sorriso nos lábios: "Não! Só ganhastes 3 euros, a raspadinha custou-te 2!".

Para elas, ter sorte sábado a tarde, é eu não poder acompanhá-las ao café.

Marco Pinheiro Faustino


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