Numa inspiração iluminista, que lhe é muito característica, a responsável máxima do F.M.I. sugeriu que Portugal devia cortar mais nos salários e pensões. Uma opinião, como seria de esperar, compartilhada também pelos técnicos da “troika,” durante a sua avaliação periódica feita no passado mês de Junho.

Esta sugestão é em todos os seus aspectos, o cúmulo de uma política mesquinha exercida por três instituições que têm obrigação de conhecer a vivência de cada povo e ajudar os governantes desses países a desenvolver políticas de crescimento económico equilibrado, para evitar a repetição dos mesmos erros de empobrecimento que tem conduzido com o maior despudor, milhões de cidadãos inocentes à pobreza e miséria social. Neste contexto económico, um dos grandes erros praticados na economia portuguesa ao longo dos anos, tem sido precisamente a prática de salários baixos e pensões de sobrevivência, na sua maioria nivelados apenas com a linha de pobreza. Esse erro crasso que infelizmente ainda continua a persistir e com tendência para se agravar, tem sido o principal factor de retracção económica nacional, onde os trabalhadores auferindo um salário demasiado baixo logicamente não podem pagar impostos. Psicologicamente, um operário mal pago, nunca sente grande motivação para elevar a sua produção para um nível máximo. Por conseguinte, as empresas tornam-se menos competitivas no mercado - uma realidade que tem ditado a sorte de muitos postos de trabalho com perdas substanciais para toda a economia. Por sua vez, os cortes sem nexo que têm sido feitos aos magros rendimentos dos pensionistas e reformados, com excepção das chamadas "pensões douradas", são um autêntico atentado contra uma faixa etária que, depois de se retirar do mercado de trabalho, continua a contribuir e a ser imprescindível para manter a economia local a funcionar. Um mérito que tem sido ignorado, subestimado e até distorcido por uma claque apoiante da partidocracia que, por razões óbvias, nunca teve a preocupação de fazer um estudo completo, do real valor da nossa população sénior no contexto económico do país onde a Segurança Social nunca devia estar à mercê de nenhum partido governamental, mas sim gerida por um painel de gestão mista entre governo e parceiros sociais, cuja competência, seria rentabilizar e gerir com mais eficiência os fundos contributivos, apoiados com um programa de fomento regenerativo do mercado de trabalho, onde os lucros tem de gerar riqueza e não um fosso de pobreza social. Tem sido esta visão reformadora que tem faltado aos nossos políticos que, formados na demagogia das juventudes partidárias, sem experiência alguma de trabalho e nem de governação, nos últimos anos apenas tem mostrado que não conseguem distinguir o país virtual onde foram educados, e o país real onde todos temos o direito de trabalhar e viver com a mesma promoção e dignidade humana.


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