As próximas eleições legislativas que se aproximam não são apenas um acto eleitoral onde os eleitores depositam o voto e o dever fica cumprido, têm de ser também uma mensagem de esperança de um povo consciente da sua identidade cultural quase milenária, que se recusa a servir de bode expiatório de um jogo de interesses económicos geopolíticos. Interesses, muitas vezes cozinhados além fronteira, que têm tentado reduzir a sua dignidade a um simples número contabilístico, sem respeito pelo seu legado e contributo em prol da civilização global. Têm de ser também um sinal solidário para com os pensionistas e reformados que, já no limite da sua fragilidade humana, têm sofrido nos últimos quatro anos a humilhação de uma chicotada psicológica que tem posto em causa o equilíbrio emocional de uma faixa etária da qual recebemos um guião de valores com a responsabilidade de os transmitir às gerações seguintes que têm de ser preparadas dentro do mesmo espírito de solidariedade e fraternidade para nortear a sua governação no futuro. Têm de ser também uma luz de esperança para os milhares de compatriotas desempregados que em circunstâncias anormais foram privados de viver e trabalhar no seu próprio país e que foram forçados a emigrar em condições inaceitáveis, encontrando como única alternativa uma exploração desumana ou as portas dos serviços sociais dos países de acolhimento. Têm de ser também um ponto de orientação para uma juventude à deriva e cujo futuro está a ser hipotecado com subsídios e estágios enganosos que não a leva a lado nenhum, um cenário que tem de ser invertido com urgência para bem do desempenho laboral e produtivo do próprio país.
Portugal precisa de serenidade para se reencontrar a si mesmo e caminhar no sentido do progresso e da justiça social. E nós, portugueses, temos de deixar o conforto absentista da nossa casa e votar em massa para eleger governantes que cumpram as promessas eleitorais que fazem, respeitem o povo e os direitos dos cidadãos. Mostrem ter sensibilidade e consciência da gravidade do fosso social e da pobreza económica que nos últimos anos tem entrado nos lares de muitas famílias portuguesas, “um cenário real que não pode ser ignorado”. Que expliquem ao povo que tipo de negócios é que estão a ser atraídos para Portugal e quanto é que essa nódoa obscura tem custado ao bolso dos contribuintes. Qual o motivo para o país estar a ser vendido ao desbarato, deixando os portugueses mais pobres e sem trabalho nem futuro?
São as respostas para estas e muitas outras questões que o eleitorado tem o direito de exigir a quem nos tem governado, depois sermos coerentes connosco e sem legitimar uma política abstracta de empobrecimento.
É necessário dizer basta! Chega de filosofia das bancas rotas já bolorentas! Queremos mais respeito e transparência governativa! Essa tem de ser a condição basilar para merecerem a confiança e o voto no dia 4 de Outubro de todos os cidadãos.