O Papa Francisco convida-nos a sair do sofá para “evitar a paralisia silenciosa … uma vida fixada mos videojogos e no computador”, ao que se pode acrescentar na “sopa” de telenovelas e nos sapientes discursos (vazios) dos fazedores de opinião que vegetam nas televisões e nos entram pela casa dentro sem nos pedirem autorização.
Este comodismo que lentamente se vai instalando nas nossas vidas, moldando silenciosamente a nossa maneira de ser, estar e agir, torna-nos cada vez mais dependentes da criatividade de outros numa atitude de adormecimento vegetativo.
Esta não é, certamente, a situação que hoje vivemos mas que, a passos largos, para lá caminhamos. E, se nada fizermos, lá chegaremos suavemente sem notarmos que chegamos ao destino, não nosso, mas determinado por outros.
É preciso ter esperança. “É preciso ter memória” porque só com memória é possível ter esperança. O Papa Francisco convida-nos a ser “atores políticos, pessoas que pensam, pessoas que possam dinamizar as causas sociais”.
Quase tudo o que nos envolve e nos facilita a nossa vivência, parece ter como objetivo final o “adormecimento” da nossa capacidade criativa, de análise e de crítica opinativa. Por vezes parece que, por pensarmos que nada mais podemos fazer, deixamos que outros tudo resolvam por nós, desde que este não mexam ou mexam muito pouco no “nosso cantinho”. Estamos a perder a noção do contato, a capacidade de discutir ideias, a vontade de realizar projetos para o bem comum da nossa sociedade (certamente a começar por aquela que nos está mais perto). Mas, se esperamos que os outros o façam por nós, esquecemo-nos que estes, ao parecer faze-lo para o nosso bem-estar, estão apenas a contribuir para os seus próprios fins, e um deles é ter as pessoas adormecidas de modo a que possam cumprir os seus objetivos, às nossa custa e em nosso nome, com o menor ruido possível.
Há tempos um grande empresário português afirmava que era necessário criar algum desconforto e insegurança para que as pessoas agissem no sentido de garantir o seu bem-estar e não o considerassem por adquirido.
Nada se consegue sem algum sacrifício, nada se faz sem determinado grau de desconforto. Deixar o conforto do sofá, perder um episódio da telenovela ou largar um jogo para participar na vida ativa das nossas associações ou das nossas organizações através da apresentação de ideias e capacidade de realização das mesmas, requer vontade, exige desconforto e exposição, requer esforço, voluntariedade e sentido crítico construtivo, mas também capacidade de escutar os outros e com estes colaborar para a obtenção de objetivos. É desta interação, desta capacidade de intervir, que podemos dar a nossa contribuição para o desenvolvimento da nossa terra, do nosso país, da sociedade que devemos ajudar a criar.
Refugiando-nos no nosso canto, abdicamos da nossa responsabilidade de sermos “pessoas” e passamos a ser zombies, ou como diz o Papa Francisco, “apenas vegetamos”.


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