Se nas instituições Europeias, mais concretamente na Comissão Europeia e no Eurogrupo, reina um espirito federalista necessário para conduzir a Europa rumo a uma Confederação de Estados semelhante às Confederações Suíça, Canadiana ou Americana, os dirigentes destes dois organismos Europeus nunca podiam estar a favorecer alguns Estados membros em detrimento de outros países, também membros de pleno direito da União Europeia. Este método de trabalho sectário, praticado já há alguns anos, vai contra todos os princípios do espírito federalista e tem sido um forte tavão na concretização de um projecto Europeu ingenuamente proclamado.
Nesta conjuntura de interesses, independentemente de haver retenção de fundos ou não, a pressão e chantagem que tem sido feita sobre Portugal com a ameaça de cortes de verbas comunitárias, que os dirigentes Europeus sabem perfeitamente que são cruciais para estabilizar socialmente o país e impulsionar uma economia há anos marcada por um crescimento medíocre, não é só um acto imoral e vergonhoso, é também um jogo sujo de gato e rato, que mostra plenamente que há tecnocratas em Bruxelas que não são coerentes com as funções que estão a desempenhar.

Equilibrar as contas públicas e reduzir ou eliminar o défice orçamental é um trabalho prioritário dos governantes de qualquer país e Portugal tem a obrigação de respeitar os seus compromissos comunitários, um dever que tem de ser respeitado por cada Estado membro. Contudo, o que os dirigentes Europeus em conjunção com o F.M.I., não podem continuar a fazer é cometer os mesmos erros do passado e tentar forçar os países com economias mais frágeis, como Portugal, a pedirem resgates após resgates financeiros, apenas para satisfazer a gula de alguns bancos de investimento com actividades e transparências bastante duvidosas que têm influenciado os mercados financeiros e cujo historial devia pesar também nas decisões e atitudes tomadas por estes três organismos internacionais.

É necessário haver mais realismo e sentido de governação, dar mais tempo para as economias crescerem, gerar riqueza para pagar as dívidas contraídas e ter sempre em conta que é mais proveitoso construir uma Europa com base num progresso pacífico e coesão social, que ceder às regras da ganância e colaborar descaradamente para transformar o continente Europeu num império do pantanal.

 


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