Nunca mais nos esqueceremos do mês de Maio de 2107. Um mês como não deve, seria felicidade demais, acontecer outro igual. E tudo graças a Francisco. Melhor: aos Franciscos. E à Jacinta. E ao Rui. E à Luísa. E ao “nosso” Salvador. Tudo milagres de Fátima. Milagres de sobra, melhor dizendo: de Sobral, ou mais completo ainda, de sobrais. Esta é a face florida do mês de Maio de 2017. Um mês que possui outra face. Uma face negra, como se fosse inevitável, para o equilíbrio do cosmos, que à felicidade em uma convergência de coordenadas tenha fatalmente de corresponder o exactamente oposto em outra qualquer convergência de meridianos. Daí não esperarmos, ou não querermos, que este Maio se possa repetir. Não vá, um dia, inverter-se a sorte do equilíbrio cósmico. Não é sensato pensar-se que a face florida aconteça sempre no nosso quintal. Nem sensato, nem de muita caridade. Isto tudo se o bom se devesse a milagres e o mau aos azares da sorte. Mas sabe-se que não é assim. Pelo menos quanto aos acontecimentos do mês de Maio de 2017. Não houve milagre aqui nem azar além. Houve apenas a intervenção do homem. Para o bem e para o mal. E é este segundo destino da intervençãodo homem que nos deve assustar. Quer sejam os mísseis do “querido líder” ou os homens-bomba do estado islâmico. Quer sejam os descuidos ambientais ou o silencioso magnetismo da “baleia azul”. 

Pode até considerar-se humildade atribuir a milagre tudo o que nos sai bem. Mas não deixa de ser alijar responsabilidades assacar ao demo ou à má sorte as consequências fatais dos erros da humanidade, ou de quem em seu nome diz agir, e dos quais não há milagre que nos livre. Em alguns casos poderá salvar-nos a acção. Os brasileiros podem apear o Temer. É possível destituir Trump. Mas Temer, Trump e similares são apenas a parte visível e “legal” do iceberg. E os outros?

Aqueles que não dependem de votos nem permitem a contestação? Que agem na sombra, anónimos e perversos, invisíveis e sedutores? Em todos os casos sedentos de poder, quer o real que controle os bens materiais, donde a fartura e a fome, ou um mais horrível ainda que domine as angústias e inquietações dos mais inseguros.

Mas voltando ao nosso lindo mês de Maio, ao nosso inesquecível mês de Maio de 2017. Naquele seu dia 13, em Kiev, agitaram-se as bandeiras nacionais de Portugal, cantou-se a Portuguesa, tudo como se fosse mesmo a Nação que ali estava e não apenas a sua RTP. E faço este reparo por que um acontecimento posterior a tudo isso me provocou engulhos no bestunto. Numa das suas entrevistas, o mais recente “herói” luso, que não o quer ser, e ainda bem, mas que muitos, ou todos, querem que seja, declarou, com a mesma simplicidade com que interpreta a sua canção, que nunca foi nacionalista, ou muito patriota, que andou muito pelo estrangeiro e daí não sentir orgulho por ser português, querendo com isso dizer, sou português tal como outros são o que são. Assim, com toda a simplicidade. E cantou em português, disse, porque, enfim, se estava a representar Portugal, achou que devia cantar no idioma de Camões. Uma muito boa razão, acrescento eu. E não quer ser herói. Quer apenas que lhe permitam cantar sem luminárias nem buzinões. Cantar suavemente. Dizendo as palavras de modo que se entendam.

Os outros que façam a festa por si próprios ou pelo orgulho nacional.


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