Esta minha crónica vai com certeza escandalizar muitas pessoas presas aos cânones da Igreja Católica Apostólica Romana, a que eu pertenço, mas que nem sempre alinhou com a doutrina de Jesus Cristo. Outras refletirão sobre o que pensei (e estou a escrever) durante uma caminhada que fiz entre a Barreira e a querida vizinha Cortes, cujo povo muito prezo e admiro.

1- O Papa Francisco deslocou-se a Fátima e, por desígnio de Deus, que está muito acima de todas as religiões e de todas as criaturas, deu inteligência e grande capacidade de organização aos poderes público e privado, para que o grande evento badalado no mundo inteiro pudesse decorrer com a maior harmonia. O Papa, para mim, é o homem que tem a maior cruz em todo o mundo, que não lhe é dada pelos católicos ou por quaisquer outros dirigentes e membros de diferentes credos e igrejas ou mesmo pelos ateus. A cruz que Francisco leva aos ombros é sobreposta pelos cardeais, bispos e outros religiosos que vivem perto de si, que defendem os seus privilégios, os das suas famílias e dos governos dos seus países em detrimento da defesa dos mais carencia-
dos, dos mais pobres e aceitação plena da diferença do outro, que Jesus Cristo apregoou segundo o seu Evangelho.

2- Fátima. Ponto final parágrafo. Tenho muito respeito pelo que desconheço e muito mais pela Fé dos que acreditam em Fátima. Limitei-me a ler alguma documentação crítica sobre o Fenómeno da Cova de Iria e a ler alguns livros do Pró e Contra. E fiquei-me. A minha ignorância é tanta sobre tudo o que vejo e sinto que não sei se acredito ou não. Uma coisa considero certa: se foi algum esquizofrénico(a) que emoldurou o Acontecimento, bendita seja a loucura, o momento em que teve essa visão e benditos todos os outros considerados no seu juízo perfeito que o acalentaram, até aos nossos dias. Fátima faz muito bem a toda a gente. A alguns peregrinos é a única maneira de concederem tréguas aos vizinhos a quem chateiam a cabeça e enquanto vão e vêm a Fátima, deixam-nos em paz. Os homens que têm mulheres que os chateiam têm também uma treguazinha, enquanto estas muito emocionadas cantam a chorar a Avé Maria e dizem adeus à Virgem com o seu lenço branco, que compraram só para a cerimónia e que guardam religiosamente. Os políticos (que a câmara televisiva tem a preocupação de mostrar), mesmo os que não acreditam, ganham visibilidade e fazem pedagogia do povo (é imprescindível a aceitação e respeito pela crença dos outros).
Quanto aos empresários da hotelaria, ou não, saem da falência e criam novos postos de trabalho, ajudando famílias de desempregados. Foi triste que o Bispo D. António Marto, em reunião com os hoteleiros e outras empresas ligadas ao ramo, tivesse que apelar à honestidade, em relação aos preços a praticar e que não explorassem os peregrinos. Quando li a notícia, já não sei onde, lembrei-me de imediato da cena evangélica da expulsão dos vendilhões do Templo por Jesus. (Mateus 21.12. “Está escrito, que a minha Casa será chamada Casa de Oração; vós ao contrario estais fazendo dela “covil de salteadões”).
Vou a Fátima e sinto-me lá bem. Mas vou sempre primeiro rezar ao Santíssimo Sacramento do Altar, “ao Jesus Escondido” que trato por tu. Somos amigos de longa data. Já os meus pais e avós O consideravam muito e lhe agradeciam muitas coisas que Ele lhes concedia. Eu vou pelo mesmo caminho e penso que os meus filhos também. E cada vez tenho mais fé Nele. Não admira. Estou a ficar velha e os velhos estão mais próximos do fim da caminhada, ainda que a “irmã morte” não escolha a idade... e desconheça toda a lei humana.

3- Salvador Sobral foi mesmo salvador do país, porque personificou a emotividade, a simplicidade e o romantismo dos portugueses. Ele cantou a alma portuguesa com tanta devoção que captou a atenção da Europa. Foi a sua verdade que cativou os europeus. Desnudou-se do supérfluo, atirou para bem longe todos os atavios e luzes dos palcos que ofuscam e fazem arder os olhos e entrou no coração, sem pedir licença, dos que o ouviram, mesmo não sabendo português. E cantou na nossa querida língua materna. Foi de uma originalidade tamanha e retirou para bem longe “Maria vai com as outras”. Foi ele próprio, tal como é! As formas de cultura, nomeadamente a música, doravante terão o cunho daquele jovem. Não se pode amar sozinho e, quando se ama uma pessoa, ama-se o universo inteiro, porque o amor estabelece correntes muito fortes que se aliam e interligam umas às outras, aceitando a tolerância e não admitindo quaisquer espécies de fundamentalismos. Afinal tudo vive em função do amor: a premissa das premissas de toda a vida.


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