Está a fazer um ano que agarrei este Jornal com a força de quem acredita no futuro dos projectos em que se envolve. Parece que foi ontem que fui abordada com um sorriso do tamanho do mundo e com as palavras vibrantes de quem celebra as vitórias dos outros: “Parabéns, parabéns, parabéns! Estou tão feliz por ti!”. Respondi com dois beijos, um grande abraço e a cara de quem não está a entender a razão para tanta felicidade. A resposta veio direta e entre sorrisos: “Esta manhã fui à rua buscar o Jornal e, quando o abri, vi a tua fotografia e li o teu editorial! Estou mesmo feliz!”. 

Esta era a Inês. É a Inês. A rapariga de sorriso fácil e rasgado que festeja as vitórias dos outros. A moça que espalha a felicidade sempre que volta à terra que ama. A distraída que tropeça nos próprios saltos, cai no meio da cidade, debaixo de chuva, e continua a rir. A jovem que larga tudo e ruma a outro país, à procura dos sonhos, à conquista da liberdade, à resposta de quem precisa de ajuda. A mulher que recusa empregadas, que gasta dinheiro a comprar roupa e comida às pessoas que a rodeiam e que se afasta da segurança para estar com as pessoas da terra que a acolheu. A miúda que acreditava num mundo melhor, que não tinha amarras e que não vivia só para respirar. Que não tinha medo. Só quem não a conheceu é que se atreve a apontar o dedo por não ter tido cuidado, por ter confiado nas pessoas, por ter sido tão boa. Esta era a Inês. É a Inês. Um furacão em pessoa, que se dava bem com todos e ajudava toda a gente, sem medo. E eu acredito que ela, mesmo se pudesse, não ia mudar nada do que fez. Viveu. Uma coisa tão simples da qual nos esquecemos tantas vezes. Viver.

Que esta tristeza que agora assola a freguesia possa dar lugar à inspiração na pessoa que ela era. É, e deve ser, um exemplo para todos nós. Para todos os que se esquecem de confiar, de acreditar, de arriscar, de viver. Como a Inês.
#PorTi, miúda. Eu prometo que nunca me vou esquecer da tua garra, da forma como te agarravas à vida, da forma como espalhavas o bem e amavas. Como amavas a vida, os amigos, a família, e a ti mesma. Como aproveitaste estes vinte e oito anos e como eras feliz. Como amavas viver. Não como uma resolução de ano novo, que facilmente se esquece, mas como uma resolução de vida. Vou guardar o teu sorriso, os teus abraços. Vou viver. #PorTi, miúda.

A equipa do Jornal das Cortes manifesta o profundo pesar por esta perda da freguesia, tão jovem, e deixa sentidas condolências a toda a família.


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