Falar ou escrever sobre assuntos de futebol, não é propriamente o tema mais apropriado a crónicas deste jaez. Contudo, se tomarmos atitudes e acontecimentos desse mundo, e fizermos paralelismos com que se passa, ou pode passar, de semelhante no nosso mundo, talvez o tema possa assumir outros encantos. Isto a propósito do caso do nosso, enquanto madeirense, Cristiano Ronaldo. A Juventos, muito embora uma vecchia senhora, estava convencida de que tinha comprado o melhor do mundo… Por cá também muita gente “comprou” do BES, que se dizia o melhor banco do país e arredores! Mas voltando ao Ronaldo. Como se viu rapidamente, a vecchia senhora não comprou nada o melhor. Comprou o agora apenas segundo melhor do mundo. Não é mau, mas já vale muito menos. Ou seja, se a tal vecchia fora mais prudente e o tivesse comprado agora, após a expulsão em Valência e depois da “desclassificação” na gala da FIFA, teria adquirido o mesmo, com a mesmíssima qualidade pelo preço da “uva mijona”. Em paralelismo acontece o mesmo no nosso mundo: a mesma calça, a mesma camisa, o mesmo par de sapatos valem pela etiqueta que transportam. Apesar de tudo desvalorizam nos “saldos”. Logo, não devemos fazer como a vecchia senhora, não devemos olhar tanto para a etiqueta, ou, se quisermos muito, então o melhor é esperar pelos saldos.

Mas não só por este ângulo se podem encontrar paralelismos entre o mundo dela, da bola, e o mundo desta bola que gira, e nós com ela. O ex melhor do mundo cometeu o pecado capital de abandonar sua majestade “El Real”, daí as consequências: na primeira vez que bota chuteiras em Espanha, tudo leva a crer que sem o merecer, vê a cartolina vermelha directa. Uma nódoa enorme para qualquer candidato a melhor do globo. Para o merecer, o tal globo em ouro, não basta correr muito e meter na baliza, é também necessário um comportamento exemplar. Logo a seguir vem a grande gala, e ele com um grande “galo” falha a eleição. Pormenor que acontece ao melhor, mesmo na política. E quem lhe sucede? Um croata, que se mostrou muito criativo e eficiente ao longo das muitas ligas onde meteu os pés. Esse tal, nem espanhol, nem francês, nem alemão, nada disso, um croata, mas que, por mera coincidência é jogador de sua majestade “El Real”! Pode não ser, mas parece que nunca alguém será o melhor do mundo sem a bênção de uma poderosa máquina. Nos últimos anos impôs-se a poderosa federação onde sua majestade “El Real” é rei. Nem será assim, mas parece. É sabido, já do tempo dos imperadores, que à mulher de César não basta ser tem de parecer honesta.

E aqui está o paralelismo principal que se pretendia alcançar nesta crónica. Para se atingir o sucesso, em termos de fama e proveito, não basta ser bom, pode até ser-se o melhor, mas para conseguir esse reconhecimento há que arrastar, ou ser arrastado, por uma engrenagem favorável. E só enquanto essa engrenagem encontrar vantagem nesse favoritismo.

Em lugar de uma potestade da bola pode-se colocar uma cidade ou mesmo um país. Um génio em qualquer matéria, nas artes, nas letras, ou mesmo em qualquer profissão, tem de ser duas vezes mais genial se professa num lugarejo do que na grande cidade. Entre nós há apenas uma grande cidade, por muito que as outras se estiquem em bicos de pés. De igual modo pode-se alargar o conceito ao planeta. Não é por um país ser grande que tem os maiores génios, quando muito pode ter mais quantidade por ter mais população. E, tal como no futebol, se num país pequenino surge uma raridade, logo qualquer “El Real”, porque goza de grande poder económico, o alicia para a sua equipa. Mas isto só acontece se o génio em causa for mesmo muito genial. Génios vulgares têm-nos aos montes. Depois vem a frase de espanto: é inacreditável como um lugarejo – ou um país – tão insignificante conseguiu produzir um génio – ou craque – destes.
Nota final: a globalização pode alterar um pouco o sistema. Como exemplo o efeito das redes sociais. O mal é que todos, ou quase, dos que aí debitam, logo à partida se consideram génios.


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