“As Cortes estão a ficar mais pobres”. Nas últimas semanas temos assistido a partidas de conterrâneos queridos que estamos habituados a ver todos os dias. Gente da terra, forças vivas com participações ativas nas instituições dos lugares, malta nova. “A morte não escolhe idade”. É certo. Mas parece sempre mais natural quando vemos partir primeiro os mais velhinhos como manda a suposta lei da natureza. Ultimamente tem sido a doença a ceifar a vida de quem estávamos habituados a ver sorrir até há bem pouco tempo.
O Luís, a Daniela, o José e o Jorge são os quatro rostos que fizeram parar a freguesia por estes últimos dias. Mas não são os únicos.
A morte é sempre uma notícia difícil de receber. Mas a morte por doença e numa idade jovem ainda custa mais a aceitar. O sentimento de impotência sobressai e caímos num vazio perante um mundo tão desenvolvido que ainda não nos protege das doenças que mais levam aqueles que nos são próximos.
“Não somos nada neste mundo”. E não somos mesmo.
O Jorge era um dos nossos mais recentes colaboradores. Chef de cozinha de profissão, partilhava connosco um pouco da sua sabedoria, todos os meses. Na manhã do passado sábado enviou-
-nos a sua última receita. Ficamos mais pobres.
Um beijinho apertado a todas as famílias que perderam alguém. Este mês, em especial, à do Luís, da Daniela, do José Nunes e do Jorge. “Estejam onde estiverem, vão olhar por nós”.


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