Ao seguir as notícias todos os dias do Sínodo dos Bispos com os jovens, a realizado em Roma, pensei escrever um pouco sobre o assunto. Não quero dar conselhos, muitos menos escrever sobre um assunto em que diretamente não estou metido, como adulto que sou e com certa idade, no dizer de alguém.
Gostei daquilo que escreveu um amigo meu, da minha idade e ainda jornalista, que é bem conhecido pela comunicação social, o Padre António Rego. Dizia ele: “Terão os adultos direito de falar sobre os jovens? Que sabem eles, além duma lista de bons conselhos que o mundo otimizado lhes sugere sem a frescura do real ou a dureza do quotidiano experimentada por um universo jovem que joga noutro xadrez e se refere em parâmetros que os adultos não têm capacidade de atingir?”… “Tenho sentido nas notícias e comentários sobre o Sínodo dos jovens este olhar paternalista de que tem muito a ensinar a jovens e pouco a aprender deles. E a razão é que “sempre foi assim e assim será”. Faz falta a humildade aos adultos, mesmos aos especialistas em juventude. Todos têm muito a olhar e ouvir antes de pronunciarem as sentenças e ordenarem a sequência pesada de conselhos. Importa olhar a realidade integrada no tempo, na cultura e na evolução da história. A capacidade de acolher a surpresa e a disponibilidade para a reaprendizagem constante da vida são dados fundamentais para criar uma tradição criativa que surpreenda as novas gerações fazendo-as descobrir e amar o seu tempo, a sua novidade, as descobertas, as linguagens e perceções da história que vão herdando e reconstruindo. O cristianismo ocupa aqui um lugar central.”
Entretanto o Papa Francisco manifesta o “sonho de uma aliança entre jovens e idosos”. O Papa acredita no diálogo entre todos os grupos etários, desde que esse diálogo seja aliança, isto é, que de parte a parte haja escuta, acolhimento, aceitação e valorização do que o outro, jovem ou adulto, é.
Penso entretanto que é um erro pedagógico os adultos darem muitos conselhos aos jovens. Seria muito melhor darem-lhe o protagonismo a que eles têm direito, ou melhor ajudá-los com a vida e não com muitas palavras, a serem eles mesmos, e a aproximarem-se deles como amigos que aceitam o seu ritmo. Tudo isto sempre em complementaridade serena e sadia.
Mas afinal o que é um Sínodo? Vejamos: quando há assuntos mundiais importantes a dialogar e a melhorar, o Papa convoca representantes de todo o mundo para ver o que melhorar, sempre com a presença e protagonismo dos que “estão no terreno”. E desta vez ele acha que um dos assuntos mais importantes para o nosso mundo são os jovens, com a sua linguagem e o seu ritmo. Por isso o Papa convocou 408 bispos ou simplesmente padres para em linguagem com os jovens refletirem no que se deve melhorar. Começou no dia 3 e terminou no dia 28 do mês de outubro. Aí estiveram também, além de jovens de todos os continentes, outros leigos, homens e mulheres e ainda dezenas de especialistas na área juvenil. O resultado sabê-lo-emos entretanto.
Penso também ser erro grave dizer aos jovens que são o futuro. Eles devem ser de facto o presente como jovens. Só assim poderão ser os adultos de amanhã. O ser adulto só acontece se primeiro acontecer o ser jovem. Sabemos por experiência que os adultos que não passaram pela fase da juventude em amadurecimento e crescimento ritmado nunca serão adultos que encaram a realidade no que é essencial. E nós adultos precisamos também de ensaiar a aprendizagem dos sinais que os jovens continuamente emitem. Com eles também amadurecemos.
O próprio Papa Francisco disse há dias em Roma que todos se devem unir contra a “crueldade” na sociedade, em resposta a uma questão colocada pelo cineasta Martin Scorsese, durante a apresentação de um livro pensado pelo pontífice e no contexto da juventude; para significar que há muita espécie de crueldade nas nossas relações pessoais. Respondeu também a muitas perguntas de um grupo de jovens e idosos, oriundos de todo o mundo, apelando à não-violência, à mansidão, à ternura e ao diálogo, convidando os mais velhos a partilhar as suas experiências de vida com “empatia”, face às novas gerações.
Mais novos e mais idosos construiremos um mundo plural onde todos somos protagonistas em sintonia construtiva, neste mundo que queremos assumir e tornar mais humano e habitável.


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