Um domingo destes, fui passear à praia, foi impossível não reparar na quantidade de crianças que brincavam juntas, filhas de casais amigos que pela cumplicidade demonstrada cumpriam ali o seu ritual de domingo de manhã. Um jardim à beira mar, um café agradável, espaço para as crianças brincarem na rua, umas andavam de skate ou trotinete, outras jogavam à bola. Foi nesse momento que dei por mim a pensar na diferença entre as gerações, aqueles pais, sensivelmente da minha geração, com mais 7 ou 8 anos que eu, viam provavelmente, da mesma forma que eu e os meus amigos o seu ritual domingueiro começar com uma ida à missa ou à catequese. Bem sei, que em muitas regiões este ritual foi alterado para o sábado à tarde, no entanto também certo é, que cada vez são menos os choros de crianças na igreja, ou os gritos no adro em dia de catequese, antes e depois da missa.
Sempre achei que quando tivesse filhos gostaria que eles fossem à catequese, concordo que não se aprende nada de mal na igreja e que bons padres, catequistas e freiras têm sempre a capacidade de nos mostrar as metáforas corretas e uma forma atual de ver e interpretar os ensinamentos bíblicos. No entanto esta minha crença tem vindo a sair fragilizada, infelizmente, continuamos a assistir a casos de pedofilia omitidos, pensamentos misóginos e machistas ligados a citações bíblicas que deveriam ser interpretados no contexto bíblico e metafórico, catequistas que afirmam em plena semana de conselho, transmitido em direto para todo o mundo, que os casos de pedofilia não passam de “Noticias Falsas”.
Este é um assunto cada vez mais preponderante na sociedade, a igreja tem vindo a perder a sua capacidade de ajudar as comunidades e de ajudar os outros, contra todos os esforços do Papa Francisco, que nos tem mostrado uma igreja humilde, que perdoa, que vive no século XXI e não no século XVIII. Uma igreja que deixa os machismos e as superioridades de parte e que nos ensina a perdoar quando tem de ser perdoado e a julgar, de forma socialmente responsável o que tem de ser julgado. Uma igreja que entende a importância de se manter na sociedade se quer que a sociedade entre pelas suas portas.
Deixo-vos com o meu último pensamento: A igreja tem a capacidade, a tarefa e a honra de nos tornar melhores pessoas, melhores habitantes, melhores vizinhos e amigos, de criar melhores sociedades mais tolerantes e compreensivas, mas para isso será que a igreja não tem de aceitar que tornemos a igreja melhor? Não está na hora de aprendermos uns com os outros e de fazermos mais pelas comunidades?
Rita Gaspar


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