A Quaresma é um tempo que tem as suas raízes já no Antigo e no Novo Testamento, como foram os quarenta anos que o Povo de Deus levou a atravessar o deserto e os quarenta dias passados por Jesus Cristo no deserto, como forma de purificação e de preparação para a Missão. Hoje podemos afirmar, segundo a carta aos Hebreus, que é um tempo propício para escutar a voz de Deus e purificar o coração, evitando todas as arritmias da vida; é um retiro comunitário de quarenta dias. Quando o coração escuta, encontra-se a verdade e vive-se o amor.
A quarta-feira de cinzas, dia a seguir à terça-feira de Carnaval, dá início ao período da Quaresma, época muito importante na vida de qualquer cristão, celebrada desde o século IV. Termina na quinta-feira Santa, que antecede o Domingo de Páscoa. Durante os 40 dias (daí o nome Quaresma) que nos levam à Páscoa, somos convidados a refletir sobre a fé na morte e ressurreição de Jesus Cristo. O final da Quaresma é assinalado com a Missa da Ceia do Senhor, ao anoitecer da quinta-feira santa. Esta Missa, também chamada do lava-pés, dá início ao Tríduo Pascal.
Qualquer pessoa com fé sabe que a Quaresma é um período fulcral do calendário religioso; é a celebração mais importante da Liturgia, que prepara a principal festa, que é a Morte e Ressurreição de Cristo ou Páscoa.
Se a Quaresma é assim importante, o que poderemos fazer para a aproveitar ao máximo a nossa vida e a de todos os irmãos? Para não ficar no tradicional, desçamos aos dias de hoje: que sentido tem para nós este tempo? Convido-vos a olharmos o que nos diz o nosso Papa Francisco, que não gosta de teorias, mas propõe e com razão, algo de prático, atual e eficaz para a vida. Entre muitas outras atitudes ele aconselha: “Sorrir; um cristão é sempre alegre. Viver a gratidão com todas as pessoas. Cumprimentar com alegria as pessoas que vemos todos os dias. Parar para ajudar. Estar atento a quem precisa de nós. Reconhecer os sucessos e qualidades do outro. Corrigir com amor; não calar por medo. Ter delicadezas com os que estão perto de nós. Limpar o que sujou, seja onde for. Ajudar os outros a superar os obstáculos…” Cada um poderá descobrir o que é mais urgente em si.
Os mais idosos lembram-se dum certo rigorismo no que dizia respeito ao jejum e abstinência. Hoje queremos ver estas formas de fazer penitência de maneira diferente. O jejum é a forma de penitência que consiste na privação de alimentos. Mesmo que seja bom manter-se esta forma tradicional de jejuar, os fiéis poderão cumprir o preceito do jejum privando-se de uma quantidade e qualidade de alimentos ou bebidas que constituam verdadeira privação ou penitência. Os entendidos na alimentação também o prescrevem como forma de prevenir os estados doentios. A abstinência, por sua vez, consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre. Antes a sua concretização na disciplina tradicional da Igreja era a abstenção de carnes. Hoje é diferente: consiste na substituição ou privação de outros alimentos e bebidas, sobretudo mais requintados e dispendiosos ou da especial preferência de cada um. Lembrem-se os fiéis de que o essencial do espírito da penitência é a escolha de uma alimentação simples e pobre e a renúncia ao caro e ao esbanjamento. Só assim a abstinência será privação, se revestirá de carácter penitencial e será saudável. Por tudo isto o melhor jejum é, no dizer do Papa Francisco: “abster-se da violência e encher-se de mansidão e paciência; dizer não ao pessimismo e encher-se de esperança e otimismo; deixar as queixas e encher-se com as coisas simples da vida; pôr de parte as tensões e violências e procurar o diálogo; pôr de lado a amargura e a tristeza e encher o coração de alegria; chutar para longe o egoísmo e encher-se de compaixão pelos outros; não aceitar a falta de perdão e encher-se de reconciliação; rejeitar as palavras ocas e encher-se do silêncio para ouvir os outros”. As opções são com cada pessoa.
Todos os anos a Igreja lembra que somos uma comunidade que nos liga uns aos outros, não por palavras bonitas mas pela partilha. Assim como em todos os anos, durante a Quaresma, os fiéis são convidados a partilhar o que têm com os mais necessitados. A nossa diocese de Leiria-Fátima convida-nos a fazermos essa partilha em favor dos irmãos da ilha do Príncipe, ajudando a Casa Betânia, que apoia e acolhe idosos e que muito precisa.
Aqui fica o desafio: paremos um pouco mais e busquemos tudo o que nos pode levar a um equilíbrio humano que nos torna saudáveis, próximos e abertos aos valores da fé e da vida.


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