No início do mês de Agosto acordámos com um “Banco Bom”, logo podemos concluir que há bancos maus. Mas será que sabemos quantos e quais?

A banca, braço do sistema financeiro, com a sua voracidade insaciável em consumir recursos, tem criado diversas bolhas, que rebentam, e nós pagamos. A bolha da bolsa, a bolha da construção.
Agora como mais não tem, cria a sua própria bolha e devora-se a si própria.
A grande trapalhada é que quem devia saber e é pago principescamente para tal, diz nada saber sacudindo a responsabilidade para o seu parceiro do lado. Este por sua vez acusa o diretor financeiro ou o contabilista, como se estes fizessem algo sem antes terem a devida autorização dos destes.
O Presidente do Banco de Portugal, Carlos Costa, até meados de Julho, afirmava que o agora “banco mau” (BES) era um banco seguro, que garantia e cumpria todos os indicadores exigidos. Por isso podíamos investir no mesmo. Sem problemas. Não pode agora vir dizer o contrário, pois tinha uma equipa do Banco de Portugal (BP) em permanência no BES a controlá-lo. Logo deveria estar bem informado de tudo o que se passava.
Estas afirmações foram secundadas pelos principais políticos, certamente pelas garantias que o BP lhes transmitia.
Ora, o Presidente do Banco de Portugal, em quem os portugueses confiam (confiavam), tem de assumir a sua responsabilidade e não procurar desculpas “esfarrapadas”, como se todos nós fossemos os incultos cá do sítio.
O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Carlos Tavares, a quem cabe controlar e fiscalizar as empresas cotadas na bolsa, as informações que estas prestam e divulgam ao mercado, vem agora informar que no panfleto de aumento de capital do BES, existe uma nota sobre irregularidade... Mas nada mais disse. Tecnicamente está lá.
Se nem os mais entendidos em matérias de relatórios compreendem a linguagem técnica, como é que se espera que o pequeno investidor, sem meios para pagar a analistas, vá entender o que lá está? … Se passar e correr bem, tudo bem! Caso contrário sempre podemos dizer que avisámos… Não será isto querer vender gato por lebre?
Outra grande empresa, a Portugal Telecom (PT), onde os seus dois principais responsáveis Henrique Granadeiro, presidente, e Zeinal Bava presidente executivo, que recebem mais num mês do que o cidadão comum ganha em 20 anos, dizem não ter tido conhecimento do investimento de quase mil milhões de euros no grupo GES, como se confundissem o GES com o BES. Como se isto não fosse do seu conhecimento e tivesse o seu consentimento prévio! Um demite-se, afirmando ter prestado um bom serviço à PT, o segundo exila-se no Brasil como se nada fosse com ele!
E aqui ficamos nós, nesta grande trapalhada, com um “Banco Bom” e um “Banco Mau”! Mas que “Banco Bom”, onde o Banco de Portugal (entenda-se nós) já investiu mais de quatro mil milhões de euros e que pelas declarações do próprio presidente do Banco de Portugal, é para vender o mais rápido possível, mesmo ao desbarato!
Quem paga a diferença? Onde ficam as empresas que contavam com este banco para as ajudar na sua recuperação? Onde ficam os pequenos investidores que não tiveram a informação necessária de quem confiavam?
Será que não tem dignidade para assumir responsabilidades dos seus atos? Ou será que o ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, é o único responsável?
Sinceramente, eu acredito que sim. É responsável. Tem de a assumir e responder pela mesma. Mas certamente não é o único.
Uma grande trapalhada, que todos vamos pagar caro e pouco mais vamos saber.


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