maria

A poucos anos de um século, Maria Luísa ensina-nos alguns dos valores mais importantes da vida.
Não é de criar intrigas nem de se aborrecer muito. Trabalhou toda a vida na terra mas agora é tempo de se dedicar à enorme família que tem, mimar os netos e aproveitar todos o tempo que ainda tiver.

Nunca pensou chegar à idade que chegou, passar por tudo o que já passou nem tão pouco ver a terra onde sempre viveu crescer tanto. Maria Luísa Vieira Lopes ainda é do tempo em que os Mourões tinha apenas seis casas e em que se enfeitou a rigor uma garagem para receber a visita de Nossa Senhora de Fátima.
Nascida em 19 de Fevereiro de 1925, filha de Celeste Vitória e Joaquim Pereira, ambos da freguesia das Cortes, tem apenas uma irmã, a Celeste, mas já conta com uma família numerosa.

 

"A melhor
família do mundo"
Tem cinco filhos do Joaquim Frazão, do Calvário, que já faleceu, com quem casou aos 27 anos. O Vítor, o José António, o Joaquim, a Celeste e a Fátima preencheram-lhe a vida e diz que não conseguia estar mais feliz e dizer melhor da família que tem. Para além das noras e genros sobre quem fala com carinho de mãe, que sempre a trataram bem e se preocuparam com ela, tem onze netos e um bisneto que lhe dão a alegria de viver. “Quando vejo os filhos e os netos todos juntos é como se a doença fugisse”, admite ao olhar para uma fotografia que tem na sala em que a família está toda reunida. E ri-se ao recordar que ainda há dias uma das netas a desafiou para ir passear mas lamentou-se que já não conseguia ir, que a idade tem as suas limitações, ao que a neta respondeu que a avó poderia ir sim, que se sentava no chão e a avó nos joelhos dela. “Graças a Deus que dei com uma família tão boa”, suspira. Ao fim-de-semana é com eles que está, mas de resto fica em casa. A casa onde nasceu, casou e ficou, nos Mourões. Diz que enquanto se conseguir pentear, vestir e comer, é ali que fica, "no ninho”.

 

Autonomia e
força de viver
Aos 90 anos admite nunca ter pensado chegar a esta idade. Não sabe quantos mais anos vai cá estar mas riposta que por ela eram muitos mais, que gosta de cá andar, “cada vez mais!”.
Cuida da casa, vê um pouco de televisão, dorme a sesta, come e ao final da tarde gosta de se sentar numa cadeira que tem perto da estrada, onde marca encontro com as amigas e com quem troca dois dedos de conversa com quem por ali passa para fazer uma caminhada.
Gosta muito de passear e diz que basta os filhos a sentaram no carro que vai bem, que sentada não há nada que lhe doa. A viagem mais marcante que já teve foi a França, mas já não está para esse género de aventuras.

 

90 anos
de uma vida
Os tempos nem sempre foram desta “boa vida” e já passou por muito.
Nunca entrou no mar ou no rio e relembra os tempos difíceis em que nasceu e cresceu. A primeira vez que entrou numa escola foi há poucos anos quando acompanhou uma neta no dia dos avós. Não sabe ler nem escrever mas tem um telefone de girar os números e volta e meia tem de carregar o telemóvel para conseguir ligar às amigas e aos familiares. E diz que não é nada difícil utilizar a maquineta: “basta carregar nos números que aquilo liga logo”.
Já foi como que a "carteira do lugar", quando trazia todas as cartas endereçadas para os Mourões, da Abadia. Terra para onde caminhou desde os doze anos até casar para trabalhar nas fazendas dos senhores Lopes Vieira e Joaquim Pereira. “Apanhava erva, dava água, semeava... tudo, tudo o que era preciso fazer” que o trabalho nunca a assustou. Mesmo depois de casar foi sempre dedicada à terra, às fazendas e ao quintal que tem por detrás da casa. Já trabalhou muito, mas também já dedicou “muitas horas à máquina de costura e a fazer pontinho” nos tempos livres, para se entreter.
A poucos anos de completar um século de vida diz ter vontade de ficar mais uns quantos, “pelo menos até deixarem”, e dá “Graças a Deus por chegar até aqui”.
Sem dúvida, uma força de viver e dedicação aos afectos inspiradora para as gerações mais novas.


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