(perfil póstumo)

Fev InêsBotas

O Dia da Mulher é feriado e um dia muito especial em Moçambique. Uma das maiores empresas do país, que é portuguesa, ofereceu tecido a todas as funcionárias para que fizessem um vestido. Inês quis usar o mesmo tecido e também quis fazer um vestido. Saiu com as colaboradoras de quem era responsável, pagou-lhes o almoço e passou a tarde toda a dançar com elas. Desde o ano passado que o Rostos com História deste mês já estava agendado para contar este género de histórias que só a Inês tinha para contar. Na impossibilidade de o conseguirmos realizar com ela, contámos com a colaboração dos pais e da irmã que tornaram isto possível.

Mestre em Finanças, trocava facilmente as secretárias e os gabinetes fechados pela liberdade da rua. 

Aventureira, amante de viajar e sonhadora, Inês percorreu o mundo de malas às costas e procurou sempre mais.

 

“Liberdade”, “viajar” e “sorrir” são as palavras que mais descrevem Inês. Com uma vida recheada, sempre foi decidida em procurar a felicidade e conquistar o desconhecido. Inês Rodrigues Botas nasceu a 11 de Maio de 1989, filha de Gracinda Maria Ferreira Rodrigues e Mário Fernando Matias Ferreira Botas, e irmã de Filipa Isabel Rodrigues Botas.

(...) 

Fã dos safaris, das paisagens virgens e da simplicidade das povoações, aproveitou para viajar e conhecer a cultura. Rejeitar o gabinete a que tinha direito para estar junto dos colaboradores da empresa, comprar medicamentos para a mãe de um amigo doente, encher as malas cheias de presentes para as funcionárias ou oferecer mercearias a quem mais precisava eram só alguns dos exemplos do que fazia constantemente. Amante de viajar e de aventura, fez um salto de paraquedas de três mil metros e correu o mundo de malas às costas. Algarve e Espanha foram dois destinos que quis aproveitar sozinha, mas conheceu muitos outros com amigos.

A última viagem que fez sozinha foi a Cuba, altura em que ajudou a limpar os estragos do furacão que por lá passou nessa altura. Seguia-se Inglaterra e depois Amesterdão e Marrocos. Por aqui, no país onde encontrava o aconchego da família, gostava de aproveitar todos os minutos com os familiares, de ver o mar e de ler na Senhora do Monte.

Os pais perguntavam várias vezes: “óh filha, quando é que tu assentas arraiais?”. A Inês, conhecida por muitos como Botinhas, respondia sempre que prometia assentar aos trinta anos.

Aos 28 anos, a 28 de Dezembro de 2017, perdeu a vida na sequência de um assalto violento no país onde trabalhava.

O que fica da Inês? “Ainda é muito cedo para conseguirmos responder a isso”, confessa a família. Fica o sorriso, uma vida recheada e um exemplo para todas as pessoas que apenas passam pela vida: “temos a certeza que a Inês não mudava nada da vida dela porque a Inês era muito feliz!”.

 


 Leia esta rubrica completa na edição em papel do JORNAL DAS CORTES n.º363, de Fevereiro de 2018.


 


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