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Jovens, com sonhos e a vida atribulada de trabalho.
Tiraram dez dias. Dez dias para fazer mais e diferente!
Juntaram-se a centenas de estudantes, correram Marrocos, procuraram as aldeias mais isoladas e distribuiram material solidário.
Uma aventura em troca de sorrisos! 

 

Acabaram de chegar e mal tiveram tempo de assimilar tudo o que viveram. Foi chegar, cumprimentar os amigos e trabalhar para conseguir a melhor festa de Carnaval da freguesia. Com o sangue a fervilhar e a força insana para trabalhar, fazem jus à fama da família e à alcunha que carregam do avô, ferreiro. Com a cara bastante queimada do sol, a pele desidratada e olheiras de quem não descansa há muitas noites, sorriem orgulhosos de quem – provavelmente – viveu a aventura de uma vida. O calor, o frio, as peripécias, os enganos e as privações vão sendo partilhadas, mas são os pequenos rostos sorridentes das crianças que marcaram visivelmente os últimos dias. Pelo café, na Amoreira, não se fala noutra coisa. A aventura, a loucura, a vida. Descansam umas horas, tentam reorganizar o que veio de viagem e voltam para o café que não pára. É lá, ainda embriagados de tudo o que viveram numa realidade completamente diferente, que tentam descrever a aventura. Mas as palavras faltam quando se pede um resumo em jeito de balanço. “É difícil explicar”, atiram. “Ver que uma simples caneta, que aqui é banal, consegue deixar um miúdo com um sorriso de orelha a orelha é indescritível”, confessam.

Alexandre e Diogo Gomes, os dois primos “ferreiros” de 31 e 30 anos, respetivamente, acabam de regressar de Marrocos, por onde andaram cerca de dez dias numa mega aventura solidária. Tiraram dez dias para correr o deserto, passar pelas aldeias mais isoladas e distribuir sorrisos pelas crianças. 

Embarcaram na aventura num carro que prepararam, com mais de vinte anos, carregado com cerca de cem quilos de material escolar e roupa que conseguiram angariar previamente. Juntaram-se a cerca de meio milhar de jovens e fizeram a diferença numa prova onde a solidariedade contou muito mais do que qualquer etapa concluída ou tempo feito. “A missão solidária é simplesmente fantástica!”, sublinham. Acamparam todos juntos no deserto, numa grande gestão de recursos muito limitados, visitaram aldeias remotas onde nem sequer existe água potável, enganaram-se várias vezes no caminho, acabaram por entrar num rio seco, ficaram estacados nas dunas, passaram noites sem dormir e deixaram toda a gente preocupada ao fim de dois dias incontactáveis. “As histórias e aventuras são tantas que daria para escrever vinte jornais”, dizem a rir.

A prova dividiu-se em várias etapas que tinham que percorrer e concluir com a ajuda de apenas um mapa, uma bússola e um RoadBook (um caderno de orientação). “Dormimos muito pouco e até a água, por muito pouca que tivéssemos, acabávamos por dar às pessoas e crianças que víamos e nos pediam”, acrescentam ao recordar as maiores dificuldades. “Nestas situações é a adrenalina que nos aguenta, a aventura, a missão e o estar lá para aquilo”, acrescentam.

A iniciativa de aliar uma prova desportiva à solidariedade é da UNIRAID, uma organização espanhola que está a conquistar participantes em Portugal. Alexandre já andava a seguir esta prova destinada a estudantes, mas não só, há três anos. Desta vez decidiu que 2019 seria o ano. E foi. 


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