Os últimos 300 anos foram marcados por uma crescente laicização da vida social, ao que se juntou uma crescente afirmação do ateísmo. Ou seja, a conquista da liberdade fez-se não tanto pela afirmação dos valores e alicerces da vida quanto pela negação de outros valores e outras propostas de vida.

E nesta conquista, ou nesta batalha, a fé foi a primeira, talvez a única, por ser a mais temível, a ser desprezada e enfrentada. Ou seja, a conquista da liberdade não se tem feito pela afirmação de valores pessoais e até pela afirmação da autonomia, mas sim pela destruição e aniquilamento de outros valores, como seja o da fé. Neste patamar queremos afirmar o nosso humanismo, não assumindo as caraterísticas humanas, mas destruindo a possibilidade da divindade. E assim chegamos ao ponto que vivemos hoje: descrentes das propostas da fé, desacreditados de qualquer verdade, mesmo as que fazem parte do nosso quotidiano, incrédulos, desconfiados e temerosos. Consequência ou não deste estado de coisas, vimos crescer novas filosofias, novas doenças, novas tormentas que não conseguimos dobrar facilmente. Sim conseguimos libertar-nos de Deus, esse papão que tanto nos atemorizava. E depois como ficamos? Muitas vezes sozinhos, caídos na nostalgia e na náusea de vidas sem sentido, na saudade de uma pátria perdida de que restam apenas frágeis resquícios na memória. Livres, mas sós e inseguros. Seria isso o que procurávamos? Será isso o que nos torna felizes? E se de repente, como que por magia, viéssemos a descobrir que afinal toda a doutrina anunciada e constituinte da fé era verdade? Se amanhã os nossos olhos contemplassem de forma clara o amor com que Deus, criou e sustem o universo, a vida e cada um de nós? E se for verdade a Encarnação de Deus, a sua passagem e a sua vida entre nós? Então a nossa vergonha será medonha e a nossa desgraça será maior do que era quando pensávamos que estávamos mal e precisávamos de lutar pela liberdade. Então seremos, nas palavras de Paulo, os mais desgraçados dos seres que vivem sobre a terra. Somo-lo nós, os crentes, se a fé for uma mentira; mas é-o a humanidade inteira se a fé for uma verdade. Com que cara, com que palavras, com que atitude nos apresentaremos diante de Deus, se tudo o que ele nos disse e fez por nós for verdade, depois de tudo termos recusado?


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